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sábado, 3 de dezembro de 2016

Luzes de Natal

O acender as luzes de Natal é outro típico acontecimento de fim de Outono pelo qual vale sempre a pena esperar.

Por estas bandas também toda a terra e terrinha tem o seu evento de acender as luzes. Mas Bury St Edmunds não facilita neste tipo de eventos. O acender das luzes "dura" uma tarde inteira com direito a corte de trânsito na praça principal. Um feito, principalmente tendo em conta que estamos a falar de um dia a meio da semana! Divertimentos, barraquinhas, decorações, todo o negócio de rua aberto e até um Pai Natal tenor, não faltou nada. Surpreendentemente, ou talvez não, no pico da festa estavam muitas centenas de pessoas no local! Ficam algumas fotos do momento.

O Pai Natal tenor

Divertimentos

A praça principal de Bury St Edmunds durante o evento

O momento do acender das luzes de Natal, com direito a chuva de confetti


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O Outono está ai!

Agora que o tempo frio chegou para ficar (por algum tempo!), é importante não esquecer as coisas boas que ele traz. A primeira das que vos vamos falar nas próximas semanas é a espantosa palete de cores com que somos presenteados pela Natureza por esta altura. Ficam as fotos abaixo para o comprovar, todas de Bury St. Edmunds.

...


Os vários tons de verde, vermelho, castanho e amarelo são muito característicos desta época e, juntamente com uns "pozinhos" de frio, perfumam-nos com um ligeiro aroma a Natal.

Feliz Outono para todos e sejam felizes!

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Desporto em nome da caridade: a minha contribuição

Em jeito de brincadeira a minha família desafiou-me a participar numa corrida de bicicleta para angariação de fundos para uma instituição local de caridade. E eu aceitei o desafio. Fica aqui o relato da minha experiência e contribuição para esta causa.

Várias vezes ao longo do ano instituições de caridade organizam eventos para a angariação de fundos para a subsistência e despesas diárias. Talvez iniciativas mais conhecidas sejam o Comic Relief e o Sports Relief, uma vez que costumam ter a cobertura da BBC. Em escala mais pequena, vêem-se em vilas como Bury St. Edmunds eventos do género, mas que não chegam a ter a dimensão nacional do Comic Relief ou Sports Relief. Ainda assim constituem iniciativas notáveis por parte das comunidades locais em dar o seu contributo a causa da solidariedade. E nós também quisemos participar e dar a nossa pequena contribuição à causa.

No passado dia 10 de Julho o St Nicholas Hospice, patrocinados para lojas e negócios locais, organizaram 3 corridas de bicicletas exclusivamente destinadas às mulheres.



O St Nicholas Hospice é uma instituição social sem fins lucrativos que se destina a fornecer cuidados a doentes com cancro em fase terminal. As corridas inserem-se uma série de eventos que se realizam em vários pontos do país apoiadas pelo Women On Wheels (WOW). Em Bury St Edmunds, as corridas tiverem como ponto de partida e chegada o Nowton Park. Conforme a resistência e capacidade física das mulheres em prova existiam corridas de 5 milhas, 25 milhas e 50 milhas (1 milha são 1609 metros). Uma vez que esta foi a primeira vez que participei em algo do género resolvi começar com a distância mais pequena e ver como corria. O treino foi muito pouco (talvez pouco mais de uma semana antes do evento) mas ainda assim custou bem menos do que aquilo que estava à espera. E à chegada à meta tive direito a palmas e a ser recebida com um chocalho. Foi engraçado e divertido! Quem sabe para o ano com mais treino e preparação não me aventuro na corrida de 25 milhas. Para já fique feliz com esta minha conquista e pequena ajuda para o St Nicholas Hospice!

  

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Bem recebidos? Não em todo o lado...

Temos vindo a dizer a todos e até aqui no blog que o Reino Unido é um país em que em geral os estrangeiros são bem recebidos. O "em geral" tem vindo a ganhar preponderância na frase anterior, tendo em conta algumas experiências recentes.

Da passagem por Cardiff guardamos um povo afável e aberto à diversidade. A transição para March não foi fácil, como escrevemos aqui na altura, pois foi um mini-choque cultural (e demográfico, porque não dizê-lo). Ainda assim, March é um lugar que não esqueceremos e mantemos belas recordações do tempo em que lá estivemos.

Viver em Bury St Edmunds é, por assim dizer, um "meio termo" entre viver numa cidade predominantemente jovem e multi-cultural como Cardiff e numa pequena vila nas profundezas da Inglaterra rural (March). Bury St Edmunds é uma vila elegante que mantém um equilíbrio muito bem conseguido entre tradição e um estilo de vida moderno. O charme de Bury St Edmunds certamente aumentou com a presença significativa de uma (endinheirada) comunidade norte-americana, dada a presença de duas bases aéreas nos arredores.

Contudo, quando partimos à descoberta daquilo que é a East of England (Este de Inglaterra, do qual fazem parte March e Bury) já fomos deparamos com surpresas menos agradáveis, que claramente resultam do crescente clima de hostilidade em relação a todos os que não são "British". Numa das ocasiões tentamos encontrar um sitio para jantar numa terra bastante rural a cerca de 15 milhas de Bury St Edmunds, e em que nos foi dito que não havia mesa para nós. Num sítio, tudo bem. Em dois... ao terceiro acabaram-se as dúvidas, apesar do subtil toque de "politeness" à inglesa. O sotaque determinou, com certeza, e o facto de naquele dia estarmos vestidos "à Verão" também não terá ajudado.

Pensamos que este tipo de situações acontece mais em lugares rurais onde o desconhecimento e a "pequenez"  de espírito é mais evidente. Não é definitivamente algo generalizado, felizmente!

Já falamos com emigrantes como nós a viver em Londres e todos são peremptórios em afirmar o quão integrados estão e como nunca sentiram discriminação pela nacionalidade. Não é difícil de acreditar, tendo em conta o quão especial e "multi" Londres é. Contudo, lugares como Thetford e Boston são a pouco mais de uma hora de distância (muito perto para o padrão britânico) e os portugueses que por lá encontramos certamente têm uma história bem diferente para contar...

domingo, 13 de abril de 2014

Bury St. Edmunds: uma experiência verdadeiramente Britânica!

O Harriet's em Bury St. Edmunds

Esta imagem é de uma belíssima coffee shop que podemos encontrar em Bury St Edmunds chamada Harriet's. Podia de de muitas outras cidades e vilas tais como Cambridge, Stratford-upon-Avon, Windsor, York ou até March. Mas esta coffe shop é especial para nós e vamos neste post tentar explicar o porquê. 

Quando se pensa no Reino Unido ou em Inglaterra, uma das primeiras coisas que ocorrem é seguramente Londres. E apesar de ser uma cidade fascinante, carregada de história, imponência e vida (até demais!), não é, em nossa opinião, uma representação fiel do que é o Reino Unido ou viver no Reino Unido. Londres, até para o comum dos nativos das nossas bandas, é assim uma espécie de “ilha” dentro da própria ilha, onde tudo é em grande, para o bem e para o mal.

Porém, não é preciso andar muito para fora de Londres para perceber que a realidade do país é bem diferente. Por exemplo, quem já fez a ligação de autocarro ou comboio Londres – Aeroporto de Stansted sabe que logo ao fim de 10/15 minutos entra numa grande planície verdejante e é este o panorama até ao aeroporto. Isto resume em grande medida o que é o Reino Unido (excluindo a Escócia, que parece ser bem mais montanhosa, e partes do País de Gales): uma grande planície verdejante com algumas grandes e médias cidades pelo meio (Londres é à parte, mas também existem outras cidades bem grandes como Birmingham, Manchester e Liverpool) e salpicada de muitas pequenas vilinhas onde tudo acontece bem mais devagar. O Reino Unido é um país com uma matriz rural muito marcada, ainda que uma ruralidade bem mais instruída e evoluída do que a que o termo normalmente carrega. Se as casas são de bonecas, as propriedades são de perder de vista. Há gado por todo o lado, cavalos, coelhos bravos, esquilos… é um deleite para quem gosta de campo e de um estilo de vida mais pacato.

O Hengrave Hall
E é neste contexto que Bury St. Edmunds se insere: é uma vila de 40000 habitantes que tem um estilo rural e tranquilo mantendo quase tudo o que uma cidade precisa de ter. Tem uma zona histórica muito pitoresca, uma arquitectura tradicional bastante preservada, espaços verdes públicos muito bem cuidados e uma delimitação muito clara entre zonas comerciais e residenciais. O ambiente é bastante mais homogéneo do que em cidades como Londres (há estrangeiros, como nós, mas nota-se muito menos a mistura) e o comércio é muito mais baseado em lojas de rua independentes.

Estátua do Rei Edmundo junto aos Abbey Gardens
Panorama do centro da vila
Deste comércio independente salta à vista a quantidade e qualidade de coffee e tea rooms, onde se podem comer os tradicionais bolos ingleses à fatia (o bolo de cenoura, de limão, de caramelo e café, …) e scones recheados deliciosos, acompanhados por um bom pote de chá (com muitas qualidades à disposição) ou um "malgão" de café à inglesa.

Cream tea no Harriet's
Destas destaca-se o Harriet's. Mas que o tem o Harriet's de especial? Pois bem, para além da sua localização bem no coração de Bury St Edmunds, destaca-se pelos funcionários vestidos como manda a tradição, a decoração, o serviço, tudo isto nos faz sentir que somos príncipes e princesas a tomar chá com a Rainha!



É este, em nossa opinião, o ambiente e contexto que melhor representa o ordenamento e estilo de vida da maioria dos britânicos (se excluirmos Grande Londres e os seus 10 milhões de habitantes, 1/6 da população total). Portanto, deixamos aqui o convite para o comprovarem, saindo da “rota batida” de Londres e partindo em busca de uma experiência verdadeiramente Britânica!
 

domingo, 5 de janeiro de 2014

A história dos 3 porquinhos não podia fazer mais sentido neste país!

O primeiro post de 2014 só podia ser dedicado à nossa mudança de residência de March para Bury St. Edmunds. Até agora tínhamos sempre vivido em apartamentos mobilados.

A nossa primeira casa em Cardiff era bastante compacta mas muito ajeitadinha, com pouco mais de 40 metros quadrados. Sim, não é engano, eram mesmo 40m2! A nossa maior divisão era o quarto que ficava virado para a rua, o que o tornava um pouco barulhento (mas aguentava-se bem!). Já a cozinha ficava debaixo das escadas da casa, que davam acesso aos apartamentos do 1º e 2º andar.


A casa de Cardiff

Quando nos mudamos para March as coisas melhoraram significativamente pois tínhamos um T2 bastante razoável, onde já podíamos receber familiares e amigos confortavelmente. Mas claro que o melhoramento em termos de tamanho não foi assim tanto, pois o nosso apartamento tinha 59 metros quadrados. Mas em termos de barulho, tirando o Sábado à noite e o Domingo por volta das 8h30m em que éramos acordados pelo pub da esquina a colocar as garrafas da noite anterior no vidrão, foi uma grande melhoria! Também tínhamos bastante Sol durante todo o dia, o que tornava a casa bastante quentinha, e um lugar estacionamento na rua mas não coberto, o que era motivo de grande preocupação nos dias de neve. Mas a cereja no topo do bolo eram mesmo os vizinhos, dos quais não temos saudades nenhumas!

A casa de March

Tendo mudado e melhorado a nossa situação, e pensando mais a médio prazo, decidimos que a nossa próxima casa seria uma casa em vez de um apartamento, com alguns requisitos básicos: ter garagem e um jardim pequeno para poder fazer uns churrascos quando o tempo permitir e desfrutar de tempo de relaxe em família (visto que não se deve ensinar "varandas" nos cursos de arquitectura deste país...). Posto isto, depois uma procura alargada e de uma decepção, lá descobrimos a nossa casa em Bury St Edmunds. Ainda está um bocado longe de ser a casa dos nossos sonhos mas preenche a grande maioria dos nossos requisitos e está dentro daquilo que queremos e podemos pagar. E claro fica em Bury St Edmunds, o que a torna mais especial! A casa é um T3 mas não fiquem muito entusiasmados porque na verdade o que neste país é T3, equivale a um T2 em Portugal (e mesmo assim...). Portanto, na verdade temos um T2 + um "quarto de bonecas " que mede 2m por 2,5m. Tudo isto perfazendo 75 metros quadrados, o que torna as cozinhas de 7m2 que vimos no IKEA em Londres perfeitamente lógicas.

Mas o que faz sentido neste país é a história dos 3 porquinhos. Toda a gente conhece bem esta história, que faz parte da infância de todos nós. Mas porquê, perguntam vocês? Esta foi a primeira casa que arrendamos completamente vazia, isto é, não mobilada. A única coisa que tínhamos eram os electrodomésticos da cozinha. Nem sequer cortinas tinha! E foi precisamente por aqui que começamos. Ora bom, quando penduramos as cortinas nos varões(que já pertenciam ao inventário da casa) ficamos com um bocado de parede na mão e o varão na outra! Visto as paredes serem "falsas" (serem feitas de madeira), eles não usaram buchas para afixar as coisas. O mesmo se passou quando colocamos os candeeiros cá em casa e verificamos que o pendente da lâmpada estava afixado directamente no tecto, novamente sem buchas! O resultado, tá visto claro, quando fomos meter o candeeiro ficamos com um bocado de tecto no mão. E podíamos continuar por aqui fora com mais exemplos mas não vos queremos maçar muito! Escusado será dizer que casas como estas são mato por aqui e que são vendidas a preço de luxo...

Moral da história: aqui as casas são essencialmente feitas de madeiras, tal como a casa do 2º porquinho da história dos 3 porquinhos, e vindo um vendaval mais forte lá vai tudo pelo ar! Vamos rezando e esperando que o lobo não passe por estes lados, senão vamos ter de ir em busca de uma casa de tijolos rapidamente!
Fonte: http://vector-magz.com/wp-content/uploads/2013/10/three-little-pigs-clip-art.jpg

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal e um Bom Ano Novo... em Bury St. Edmunds!

O fim do ano trouxe mudanças a'O Meu Lado Solar. Deixamos March para trás e abraçamos Bury St. Edmunds, a vila floral!

Deixar March tornou-se mais difícil do que esperávamos. March é pequeno e não tem muito que se possa fazer, mas vale muito mais do que parece! Morar no centro da vila, ter todos os serviços, um grande parque verde junto ao rio e um bom ginásio, tudo a 5 minutos a pé era um luxo. E era bastante sossegado, apesar da localização. E, claro, gostávamos muito da nossa casinha! Era "compacta", digamos assim, mas era bastante optimizada. Deixa saudades, sem dúvida.

Mudar para Bury St. Edmunds é só por si um melhoramento. É realmente uma vila muito pitoresca, cheia de vida, carregada de "britanidade". É daqueles amores a primeira vista que ficam! Não é Cambridge, é certo, mas quem sabe um dia... o lado menos positivo é que nos mudamos para uma zona exclusivamente residencial, longe o suficiente para precisarmos de carro até para comprar um pão. E o centro da vila fica a mais de 3 km...mas foi lá que encontrámos a casa que queríamos e isso tem muita forca neste país! Mas deixemos a questão das casas (é um tema recorrente, como vêem) para 2014!

Natal em Bury St. Edmunds (foto retirada de burystedmundschamber.org)

Desejamo-vos um Natal muito feliz e um Ano Novo cheio de tudo o que mais desejam!
 

domingo, 8 de setembro de 2013

A vila floral

O Meu Lado Solar está de volta e pára hoje numa bela vila relativamente perto daqui: Bury St. Edmunds!

Após alguns passeios a sítios, em nossa opinião, pouco interessantes (e, portanto, sem grande interesse para vós também), as expectativas sobre Bury St. Edmunds não eram famosas. Mas é nestes casos que sabe melhor ser surpreendido!

O Angel Hotel

Logo ao chegar ao centro (e sem necessidade de pagar parquímetro, um luxo!), deparámo-nos com uma zona pedonal comercial, cultural e residencial que muito se assemelha ao Fórum Aveiro: ao ar livre, ampla e moderna. Só por esta zona já valeria a pena visitar a vila: pela experiência de compras descontraída, pela ida ao centro cultural ou apenas pela caminhada.

O novo shopping ao ar livre

Mas Bury St. Edmunds é muito mais que isto. Andando mais um pouco chegamos ao típico centro das pequenas vilas britânicas. Mas este está bem acima da média (pelo menos do Este de Inglaterra), não só pelo arranjo pitoresco do casario, mas principalmente pelo lindíssimo parque envolvente à Catedral de St. Edmundsbury (já de si imponente). A abundância floral do parque (Abbey Gardens) que se estende por várias ruas do centro torna Bury St Edmunds numa auto-denominada floral town (vila floral).

Os Abbey Gardens
A Catedral de St. Edmundsbury

O centro da vila é pequeno e calcorreia-se em pouco tempo de ponta a ponta. No centro há a destacar o antiga sede do mercado agro-pecuário transformado em pub há pouco cerca de um ano. Tem uma vertente de galeria de arte na entrada, o que o torna muito requintado e diferente do que estamos habituados a ver.

O pub Corn Exchange (fonte: jdwetherspoon.co.uk)

Outro edifício de relevo é a fábrica e respectivo museu da cerveja local - a Greene King - que devido ao facto de ser Domingo e tudo fechar cedo, nos vimos impedidos de visitar. No entanto, deixamos aqui uma foto da entrada. Esta cerveja é bem popular, encontra-se em qualquer pub de Inglaterra e Gales e é do tipo ale (que está longe de ser o nosso tipo de cerveja preferido). Havemos de voltar a falar de cerveja em breve...

Fábrica e museu da Greene King

Na envolvente, para além da habitual planície verde, existe um forte complexo industrial/comercial (quando comparado com o resto da região), do qual salta imediatamente à vista a fábrica da British Sugar. Lá se encontra também um grande hospital do serviço nacional de saúde (NHS), o West Suffolk Hospital.

Bury St Edmunds não tem aquele estilo vibrante, jovem e variado que, por exemplo, Cambridge tem. No entanto, alia muito bem sossego e qualidade de vida com a proximidade a serviços, que a torna numa vila muito atraente para se viver! Recomendado!

Uma das entradas dos Abbey Gardens