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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Brexit... e agora?

Como todos sabem, o Reino Unido votou na Quinta-feira passada para deixar a União Europeia.

fonte: home.bt.com
Muito se tem dito e escrito sobre isto (demais!) e neste momento há um excesso de ruído, que se torna realmente cansativo. Tem sido uns 4/5 meses de inferno em relação a este assunto e os próximos prometem continuar pelo mesmo caminho.

Apenas uns apontamentos sobre a votação. Muito se disse, mas apenas dois ou três argumentos trouxeram decisivamente a votação da “saída” para cima: a primazia do parlamento britânico em relação a qualquer legislação vinda de “Bruxelas” (Bruxelas entre aspas, pois é por estas bandas sinónimo de União Europeia) – o Reino Unido sempre olhou de soslaio para o “Continente”, esta União sempre foi (para eles) suposto ser apenas negócio; a percepção que se gastam milhões em “Bruxelas” que eram melhor aplicados no Serviço Nacional de Saúde e outros serviços públicos; e, claro, o rei dos argumentos: a imigração e o “controlar as fronteiras”. A imigração foi explorada até à exaustão e chegou a um nível tal que se tornou visceral. Não sei se estão a par, mas houve um brutal assassinato em plena luz do dia de uma deputada trabalhista uma semana antes da eleição, instigado pela atmosfera a que se chegou. Muito triste…

Aparentemente houve muita gente surpreendida com o resultado e “arrependida” do voto logo na Sexta-feira. “Era suposto apenas ser protesto, nunca pensei”, tem-se ouvido. O que está feito, feito está. As cenas dos próximos capítulos só mesmo o tempo vai determinar, mas há certamente um exercício de reconciliação nacional a ser feito. Temos um país estraçalhado a meio por uma decisão fundamental e, mais importante que isso, dividido em questões que trouxeram os mais primários sentimentos e atitudes “fora do armário”.

Os próximos meses são para sentir o pulso à Nação e perceber qual é o sentimento. O Reino Unido sempre foi um país mais tolerante que a maioria, veremos se assim se mantém. Assim o esperamos.
 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Bem recebidos? Não em todo o lado...

Temos vindo a dizer a todos e até aqui no blog que o Reino Unido é um país em que em geral os estrangeiros são bem recebidos. O "em geral" tem vindo a ganhar preponderância na frase anterior, tendo em conta algumas experiências recentes.

Da passagem por Cardiff guardamos um povo afável e aberto à diversidade. A transição para March não foi fácil, como escrevemos aqui na altura, pois foi um mini-choque cultural (e demográfico, porque não dizê-lo). Ainda assim, March é um lugar que não esqueceremos e mantemos belas recordações do tempo em que lá estivemos.

Viver em Bury St Edmunds é, por assim dizer, um "meio termo" entre viver numa cidade predominantemente jovem e multi-cultural como Cardiff e numa pequena vila nas profundezas da Inglaterra rural (March). Bury St Edmunds é uma vila elegante que mantém um equilíbrio muito bem conseguido entre tradição e um estilo de vida moderno. O charme de Bury St Edmunds certamente aumentou com a presença significativa de uma (endinheirada) comunidade norte-americana, dada a presença de duas bases aéreas nos arredores.

Contudo, quando partimos à descoberta daquilo que é a East of England (Este de Inglaterra, do qual fazem parte March e Bury) já fomos deparamos com surpresas menos agradáveis, que claramente resultam do crescente clima de hostilidade em relação a todos os que não são "British". Numa das ocasiões tentamos encontrar um sitio para jantar numa terra bastante rural a cerca de 15 milhas de Bury St Edmunds, e em que nos foi dito que não havia mesa para nós. Num sítio, tudo bem. Em dois... ao terceiro acabaram-se as dúvidas, apesar do subtil toque de "politeness" à inglesa. O sotaque determinou, com certeza, e o facto de naquele dia estarmos vestidos "à Verão" também não terá ajudado.

Pensamos que este tipo de situações acontece mais em lugares rurais onde o desconhecimento e a "pequenez"  de espírito é mais evidente. Não é definitivamente algo generalizado, felizmente!

Já falamos com emigrantes como nós a viver em Londres e todos são peremptórios em afirmar o quão integrados estão e como nunca sentiram discriminação pela nacionalidade. Não é difícil de acreditar, tendo em conta o quão especial e "multi" Londres é. Contudo, lugares como Thetford e Boston são a pouco mais de uma hora de distância (muito perto para o padrão britânico) e os portugueses que por lá encontramos certamente têm uma história bem diferente para contar...

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

"Mais ou menos" ou "not too bad": Portugal e Reino Unido não parecem assim tão diferentes!

Em Portugal temos a noção que somos dos povos mais pessimistas pois frequentemente ouvimos as pessoas dizer "Como estás? Estou mais ou menos." Ou "vai-se andando".

Pois os ingleses não parecem assim tão diferentes! Quando se lhes pergunta"How are you?" geralmente respondem "not too bad", muito raramente "could be worse" e quase nunca "good, thank you. Yourself?". Mesmo que estejam de férias ou tenham recebido uma boa notícia. Seja face a face ou ao telefone (mesmo que pareçam felicíssimos ao telefone, toda a gente parece "adorar" receber chamadas!). Dizer "good, thank you" parece só reservado aos estrangeiros. O "not too bad" é mesmo um vício, aposto que a maioria dos que nos lêem e moram por estes lados concordam!

 O pior é que "not too bad" não parece querer dizer grande coisa: "podia estar pior" ou "não se vai (demasiado) mal"? São duas faces da mesma moeda que não tem necessariamente o mesmo impacto nos menos avisados (os estrangeiros, claro). A verdade é que, segundo eles, "not too bad" é suposto significar "está tudo bem". Dizem-no assim para serem muito "polite" (bem comportados) e não parecerem gabarolas ou não ferirem susceptibilidades...yeah, right!

 Nós por cá estamos sempre "good, thank you", pois se assim não fosse mais valia não estar cá!


terça-feira, 29 de abril de 2014

Doutores e Engenheiros

Um destes dias, num dos nossos empregos, a maior hierarquia da empresa baseada localmente chegou junto dos funcionários e começou a perguntar se queriam café ou chá. E lá foi e voltou com um tabuleiro cheio de “malgões” e distribuiu-os um a um. E aparentemente não espantou ninguém. Isto deixou-nos a pensar: alguma vez tínhamos visto isto em Portugal?

Sendo que não é nada de espectacular em si mesmo, é um gesto bastante invulgar em Portugal, onde se cria uma barreira ridícula entre a “plebe” e a “realeza”. Ainda que também exista hierarquia aqui e esta seja respeitada, não há aqui “Dr. X” ou “Eng. Y”, as pessoas tem nome e é esse que se usa no dia-a-dia. Um dos nossos choques da “adaptação invertida” (isto é, quando voltamos esporadicamente a Portugal) é reparar o quanto certas pessoas adoram ter um “título”, que quase parece realeza, e quantas outras chamam essas pessoas pelo título quando na realidade lhes apeteceria era chamar-lhes outra coisa… Este é um sinal cultural dos países do Sul da Europa (já nos disseram que pelo menos em Itália e Espanha é igual) e não é certamente um sinal de equidade social, que é só por si um dos pilares de um país evoluído.

Todos certamente nos lembramos do gozo que o ex-ministro Álvaro Santos Pereira levou quando insistiu que o tratassem por Álvaro. E depois, quando foi ao Telejornal da RTP, o Carlos Daniel pediu-lhe desculpa por não lhe chamar Álvaro pois “o formalismo do Telejornal não o permitia”. Mas porquê? Na verdade, ele era capaz de ser uma das poucas pessoas em posição semelhante que poderia ser justamente chamado de Doutor (porque de facto tem Doutoramento), mas não queria... é o nosso país dos “doutores”.

As pessoas tratarem-se pelo primeiro nome por aqui é das coisas que mais gostamos. Não cria barreiras (que na verdade não devem existir), sem impedir que cada um saiba “o seu lugar”. Para quando isto em Portugal?


Nota: existem certamente excepções a esta regra, tanto cá como lá (e conhecemos algumas, para os "dois lados"!!), mas após alguns anos por cá esta é a nossa percepção.
 

domingo, 13 de abril de 2014

Bury St. Edmunds: uma experiência verdadeiramente Britânica!

O Harriet's em Bury St. Edmunds

Esta imagem é de uma belíssima coffee shop que podemos encontrar em Bury St Edmunds chamada Harriet's. Podia de de muitas outras cidades e vilas tais como Cambridge, Stratford-upon-Avon, Windsor, York ou até March. Mas esta coffe shop é especial para nós e vamos neste post tentar explicar o porquê. 

Quando se pensa no Reino Unido ou em Inglaterra, uma das primeiras coisas que ocorrem é seguramente Londres. E apesar de ser uma cidade fascinante, carregada de história, imponência e vida (até demais!), não é, em nossa opinião, uma representação fiel do que é o Reino Unido ou viver no Reino Unido. Londres, até para o comum dos nativos das nossas bandas, é assim uma espécie de “ilha” dentro da própria ilha, onde tudo é em grande, para o bem e para o mal.

Porém, não é preciso andar muito para fora de Londres para perceber que a realidade do país é bem diferente. Por exemplo, quem já fez a ligação de autocarro ou comboio Londres – Aeroporto de Stansted sabe que logo ao fim de 10/15 minutos entra numa grande planície verdejante e é este o panorama até ao aeroporto. Isto resume em grande medida o que é o Reino Unido (excluindo a Escócia, que parece ser bem mais montanhosa, e partes do País de Gales): uma grande planície verdejante com algumas grandes e médias cidades pelo meio (Londres é à parte, mas também existem outras cidades bem grandes como Birmingham, Manchester e Liverpool) e salpicada de muitas pequenas vilinhas onde tudo acontece bem mais devagar. O Reino Unido é um país com uma matriz rural muito marcada, ainda que uma ruralidade bem mais instruída e evoluída do que a que o termo normalmente carrega. Se as casas são de bonecas, as propriedades são de perder de vista. Há gado por todo o lado, cavalos, coelhos bravos, esquilos… é um deleite para quem gosta de campo e de um estilo de vida mais pacato.

O Hengrave Hall
E é neste contexto que Bury St. Edmunds se insere: é uma vila de 40000 habitantes que tem um estilo rural e tranquilo mantendo quase tudo o que uma cidade precisa de ter. Tem uma zona histórica muito pitoresca, uma arquitectura tradicional bastante preservada, espaços verdes públicos muito bem cuidados e uma delimitação muito clara entre zonas comerciais e residenciais. O ambiente é bastante mais homogéneo do que em cidades como Londres (há estrangeiros, como nós, mas nota-se muito menos a mistura) e o comércio é muito mais baseado em lojas de rua independentes.

Estátua do Rei Edmundo junto aos Abbey Gardens
Panorama do centro da vila
Deste comércio independente salta à vista a quantidade e qualidade de coffee e tea rooms, onde se podem comer os tradicionais bolos ingleses à fatia (o bolo de cenoura, de limão, de caramelo e café, …) e scones recheados deliciosos, acompanhados por um bom pote de chá (com muitas qualidades à disposição) ou um "malgão" de café à inglesa.

Cream tea no Harriet's
Destas destaca-se o Harriet's. Mas que o tem o Harriet's de especial? Pois bem, para além da sua localização bem no coração de Bury St Edmunds, destaca-se pelos funcionários vestidos como manda a tradição, a decoração, o serviço, tudo isto nos faz sentir que somos príncipes e princesas a tomar chá com a Rainha!



É este, em nossa opinião, o ambiente e contexto que melhor representa o ordenamento e estilo de vida da maioria dos britânicos (se excluirmos Grande Londres e os seus 10 milhões de habitantes, 1/6 da população total). Portanto, deixamos aqui o convite para o comprovarem, saindo da “rota batida” de Londres e partindo em busca de uma experiência verdadeiramente Britânica!
 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

"Tenho 30 anos e moro com os meus pais. Serei normal?..."

Esta pergunta do tipo "Dra. Ruth" resume o que esteve em discussão esta manhã na rádio local, que pude acompanhar a caminho do trabalho. O animador fez o seguinte pedido/convite: ouvintes que tivessem filhos entre os 20 e os 34 anos que ainda morassem com eles, que ligassem para o programa a relatar a sua experiência, nomeadamente se não sentiam falta de ter o seu espaço como casal. Isto porque aparentemente nos últimos dois anos disparou no Reino Unido o número de casais cujos filhos têm entre 20 e 34 anos e ainda moram com os pais. Surpreendidos?! Nem por isso, não é? Afinal esta é a realidade que encontramos em Portugal (pelo menos nas zonas mais urbanas).

Ao contrário do Reino Unido, em Portugal é relativamente comum os filhos viverem em casa dos pais até estes terem 30 anos (ou mais!). E isto não é mal visto pela sociedade, pois são raros os jovens adultos que hoje em dia conseguem arranjar trabalho depois de terminado o seu percurso no ensino superior. E aqueles que conseguem arranjar trabalho, é um trabalho bastante precário e que não dá para serem financeiramente independentes da família. Por outro lado, talvez o típico jovem português seja mais ambicioso que o típico britânico, que faz as malinhas e vai viver por conta e risco para fazer o que aparecer em vez de prosseguir os estudos. Deste modo os pais portugueses, cientes de dificuldades passadas e querendo o melhor para os seus filhos, vão alimentando esta ambição mesmo à custa de grandes sacrifícios.

Ainda assim, diferenças culturais à parte, temos de ser justos: a esmagadora maioria dos pais britânicos pode trabalhar a vida toda e fazer todos os sacrifícios que dificilmente conseguirá pagar (sem um belo empréstimo...) o valor de propinas por estes lados de um mero curso de três anos: entre 9 e 11 mil euros por ano para estudantes da UE e caso sejam fora da UE o valor sobe, e bem!! Estes valores dispararam em 2012. Imaginem os valores para mestrados... E isto esquecendo as outras despesas associadas! Esta grande diferença de custos pode assim justificar em parte o facto de relativamente poucos jovens britânicos irem para o ensino superior mal fazem os chamados A-levels, exames equivalentes aos exames nacionais em Portugal, e ingressarem no mercado de trabalho. E depois claro quando eles começam a ter alguma estabilidade financeira, não a querem largar e ficam com o que têm em vez de lutarem por mais. Mas não os podemos julgar pois os seus pais quando eles fazem 18 anos põem-lhes as malas à porta e dizem para eles irem à vidinha deles. Pelos menos, é o que faziam até há pouco tempo e parece agora estar a mudar...

Tenho muita sorte por ter nascido em Portugal e ter uns pais maravilhosos, aliás sem eles jamais teria conseguido chegar onde cheguei. OBRIGADA!!!
 

domingo, 19 de janeiro de 2014

"Passou-bem"... ou não!

É de conhecimento geral que os portugueses são vistos como um povo hospitaleiro pelos que nos visitam! Esta afirmação só faz sentido na existência de um ou vários pontos de comparação. É que, por sua vez, os povos do Norte da Europa são vistos como frios e pouco amigáveis a quem vem de fora.

No caso dos britânicos, pensamos que não é bem assim: são um povo mais acolhedor considerando a maioria dos que tivemos e temos o gosto de conhecer, seja através de viagens ou conhecimento pessoal. São regra geral abertos a conhecer o outro e isso é o primeiro passo do acolhimento. Mas isso não significa que não haja diferenças bem vincadas!

As diferenças começam no cumprimento: muito raramente temos apertos de mão ou beijinhos (e só um, se houver). Abraços, ainda menos! Aqui normalmente só existem estes cumprimentos "formais" quando as pessoas se conhecem ou após uma longa ausência. No dia-a-dia, não há cumprimentos para além um "bom dia" ou "boa noite" (se tivermos sorte, pois há muita gente que entra e sai como se nada fosse ou ninguém estivesse lá...). Esta é uma marcada diferença cultural, que não tem muito a ver com ser-se muito ou pouco educado: é como é. Fomos criados de forma diferente e estranha-se bastante ao início, mas passa, ou não fossemos portugueses!

Ainda assim notamos diferenças quando comparando as regiões do Reino Unido onde vivemos. Por exemplo, no País de Gales é comum as pessoas meterem conversa no autocarro ou à espera dele na paragem, principalmente as pessoas de mais idade, fazendo conversa sobre o tempo ou sobre o seu destino naquele dia. Já em Inglaterra isso não se nota, chegando mesmo a "tocar" a indiferença pois ninguém quer saber da vida do outro (e isso pode ser bom ou mau, claro). Estilo de vida ou diferenças na educação são duas explicações possíveis para estas diferenças. Mas claro que nós estranhamos esta mudança quando viemos morar para Inglaterra. Mas já encontramos por aqui excepções (sem a influência do álcool!), pois aqui toda a gente é muito amigável depois de alguns pints de cerveja!E certamente a maior parte das pessoas interessa-se, têm sim uma forma diferente de o demonstrar.

Também, devido ao facto das pessoas praticamente não comerem durante o dia, não há aquela desculpa da pausa de almoço, em que as pessoas se juntam e falam (de trabalho ou não). Portanto, cada um encontra o ritmo ou altura certa para comer qualquer coisa e depois retoma ao serviço. Isto é mais ou menos comum a todos os sectores de actividade por aqui! Sejam lojas, escritórios, universidades, hospitais, ... é assim. Isto estende-se às pausas para café, que por cá não existem, visto que a toda a hora é hora de café e chá (canecas bem cheias, claro). Isso é que é mais difícil de nos habituarmos, ai o nosso cafézinho...

Ou seja, não há aquele contacto mais "amigável" durante o dia, como há em Portugal (o que nem sempre é bom, como sabemos). Mas nunca pior. Ao fim de algum tempo já nem se pensa nisso! Mas isto não significa conformismo. Bem gostávamos que fosse diferente, mas como a nossa terra... só a nossa terra!


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

As gaivotas urbanas

Diz-se que a necessidade aguça o engenho. Mas isto não se aplica apenas aos humanos!

Uma gaivota "normal"

Gaivotas "britânicas"

Um destes dias, estávamos no comboio e deparámo-nos com um cenário muitas vezes visto por cá: à falta de peixe, as gaivotas "arremedeiam-se" com fish & chips. E quem sabe se não lhes sabe melhor! Não tem espinhas e ainda tem acompanhamento!

Este é um cenário muito comum por cá e, em alguns sítios, é quase uma praga. Isto era bem visível (e audível) em Cardiff, onde peritos julgam existir a maior população de gaivotas do mundo! Elas comportam-se como aves de rapina, sempre prontas a voar a pique em direcção ao seu takeaway favorito. Com os perigos que todos percebemos. Claro que grande parte disto se deve à incapacidade de muitos colocarem o lixo no seu devido sítio... Mas nem sempre: elas andam sempre à caça e podem mesmo "atacar" quem esteja muito descansado a comer!

Nunca fomos "roubados" por uma gaivota, mas realmente todo o cuidado é pouco, pelo menos por cá. Foi em Cardiff que pela primeira vez ouvimos falar em "gaivotas urbanas", da mesma forma que também existem "raposas urbanas" (que se especializam em fast food em vez de caçar frangos e galinhas - assim já as comem panadas!). Esperemos que isto não se "pegue" a Portugal!

Nham nham!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Vai uma aposta?

Quase tão certo como ter um (ou mais!) pubs, qualquer terrinha por aqui tem também a sua casa de apostas! Sejam pequenos proprietários ou grandes cadeias (como a Ladbrookes ou a William Hill), e apesar da concorrência das apostas online (como a Betfair), não há praça comercial sem pelo menos uma casa de apostas! Regra geral, há sempre espaço para as pessoas se sentarem, acompanharem os eventos e irem apostando em conformidade. É mais uma espécie de "bolsa de valores" do que  casino. Mas aqui só se compra e, com sorte, lucra-se alguma coisa no fim! ;)

As apostas são, por aqui, o equivalente ao nosso totoloto e euromilhões: cruzam gerações e classes sociais, estão firmemente implantadas e aceites como parte essencial do quotidiano do comum dos britânicos. As apostas mais vulgares por aqui são as desportivas, mas não só de futebol! Até em corridas de cavalos se aposta (não, não é só nos filmes nem só na América). Claro que começando a apostar, há sempre a hipótese de tentar a sorte com as coisas mais mirabolantes. Como no nome do "futuro herdeiro" do trono britânico.

Apostas sobre o nome do "futuro herdeiro" do trono à porta da maternidade (fonte: npr.org)

Como vêm, a agência de apostas acertou em cheio! A aposta mais provável segundo a William Hill (e portanto, menos generosa) era George. Quem escolheu George não ficou, ainda assim, mal servido: 8/1 (as chamadas "odds" - possibilidades) significa que por cada libra apostada, o apostador recebeu 8 libras!

Mais difícil é encontrar por aqui o euromilhões (não e que o procuremos muito, confessamos). Mas também se joga e ganha, como são prova alguns casos de primeiro prémio por estas bandas que chegaram às noticias em Portugal. Como exemplo, aquele casal que quando soube que ganhou o euromilhões saiu para comprar uma pizza. Mas, definitivamente, as apostas reinam por Terras de Sua Majestade.

Só depois de vermos como funciona esta indústria por aqui compreendemos melhor o absurdo económico que vivemos em Portugal. Por cá, com toda a indústria (física e online) devidamente regulada (incluindo lotarias e euromilhões), o Governo britânico recolhe uma quantia bem "simpática" em impostos por ano (dados de 2010): 700 milhões de libras. Em Portugal, temos um "semi-faroeste", em que um operador tem monopólio sobre o mercado de apostas e todos os outros tem de estar registados fora de Portugal para poderem operar. Para ja nao falar que as apostas online nao tem qualquer enquadramento legal ainda, logo é como se não existissem! Conclusão, um monte de dinheiro, tão precioso ao Estado nesta altura, a voar pela janela fora todos os dias...
 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Persianas, para que vos quero!

Um "pormenor" que salta à vista mal se chega ao Reino Unido, mas do qual nunca falamos aqui, são as persianas. Ou melhor, a falta delas!

Sem persianas nem cortinas: mais regra que excepção no Reino Unido (fonte: dailymail.co.uk)
Desde sempre fomos habituados, culturalmente, a ter persianas em casa. Com isso, protegemo-nos não só "visitas indesejadas" mas também da luz do dia quando nos deitamos. Isto é tão óbvio e banal em Portugal como o seu contrário por estes lados!

Por aqui não há persianas e, espanto dos espantos, frequentemente nem sequer cortinas! Não é fácil nos primeiros tempos adormecer com tanta luz e tê-la a entrar pela janela tão cedo, mas o hábito acaba por chegar. Quanto às cortinas, não é fácil tirar conclusões. Parece-nos evidente que o espírito de "coscuvilhice" no Reino Unido é bem menor que em Portugal. Mas o que nos parece mais é que, em geral, as pessoas estão-se "nas tintas" para o que os outros pensam delas ou sobre o que estão a fazer. Isso nota-se bem nas ruas: mesmo num sitio pequeno como March não faltam "seres extravagantes" e nem por isso as pessoas mais idosas param para ver. Ou se param, é para se rirem um bocado. Estão a ver isto em Portugal?

Não estamos a dizer que apreciamos especialmente a cultura do "quanto mais doido, melhor". Simplesmente, é uma forma diferente de encarar a vida. E só cá estando é que o poderíamos descobrir!

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Parques de estacionamento: um verdadeiro tormento!

Regra geral, ter carro no Reino Unido é boa ideia.

As distâncias a cobrir são muito grandes (quando comparamos com Portugal), o terreno é tendencialmente plano, os custos são relativamente reduzidos (contam-se pelos dedos de uma mão as portagens no país inteiro e o custo do combustível é razoável). O sistema de comboios é extremamente eficiente mas, em muitos casos, caro. Logo, ter um carro é uma escolha óbvia para quem mora fora de Londres (sim, um carro em Londres é só mesmo para quem for doidinho, precisar mesmo muito ou tiver muito dinheiro).

Tendo dito isto, "não há bela sem senão", como diz o povo. E este "senão" irrita tanto que por vezes faz esquecer as vantagens acima. Estou a falar de estacionar e, mais concretamente, de parques de estacionamento!

O símbolo de Park & Ride (fonte: nph.de)
É praticamente impossível estacionar livremente no Reino Unido. Ou é proibido estacionar (linha amarela), ou os lugares estão reservados a moradores (muitíssimo frequente) ou há parquímetros (regra geral: muito poucos, muito caros e utilizáveis por um período muito limitado de tempo - até duas horas de permanência). Há também parques de estacionamento de longa duração junto aos centros das cidades, mas são, como se diz aqui, eyewatering (tão caros que até fazem chorar...).

O cúmulo disto é em Peterborough onde, para além de não se conseguir estacionar em lado nenhum da cidade a preços razoáveis, até para estacionar no hipermercado ASDA se tem de pagar! E o pessoal paga mesmo! O tio Belmiro qualquer dia ainda se vai lembrar disto...

Ah e se pensam "estaciona-se à Português", esqueçam. Aqui não há brincadeiras: caso não seja a (eficiente) vigilância a apanhar-vos mal estacionados, os locais fazem-vos esse favor. Já ambos tivemos o desprazer de sermos "convidados" a estacionar noutro sítio, mesmo não estando a chatear ninguém...

Existe uma outra alternativa, da qual temos sido grandes adeptos ultimamente, depois de muitas e desesperantes tentativas nos centros de algumas cidades.

Autocarro de Park & Ride em Oxford (fonte: showbus.com)
É o chamado Park & Ride (P+R): a troco de um bilhete de ida e volta de autocarro (ou comboio, conforme o caso) para o centro da cidade, a empresa de transporte "oferece" estacionamento gratuito para o carro. Normalmente, estes serviços são frequentes (10 em 10 minutos) e rápidos. Os custos variam: por exemplo, em Cambridge o bilhete de autocarro é individual (cada pessoa tem de comprar o seu). Por outro lado, em Nottingham é muito mais interessante: o bilhete é por veículo, ou seja, até 6 pessoas que viajam juntas podem circular com o mesmo bilhete.

Agora já estamos mais conformados com o "sistema" e portanto, antes de ir para seja onde for de carro, vemos sempre onde é o Park & Ride. Se não podes vencer, junta-te a eles...

P.S.: Este é o centésimo post d'O Meu Lado Solar! 
É fantástico ter chegado a esta marca e queremos continuar. Temos de vos agradecer, pois quem nos lê é o que nos motiva a escrever. Queremos continuar a ouvir o vosso feedback, seja nos comentários do blog ou nas redes sociais. Um simples "gosto" ou "+1" já é motivo de alegria para nós!

Que o nosso (e vosso) Lado Solar continue a brilhar...e cada vez mais!
 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ir ao dentista no Reino Unido: uma experiência "Ryanair" (parte 2)

No post anterior, acabamos a dizer que teríamos de nos registar num dentista para poder finalmente "atacar o bicho". 

Um pormenor importante é que qualquer clínica dentária aqui no Reino Unido (NHS ou privados) só trabalha de 2ª a 6ª, das 9h às 17h/18h no máximo. Significa isto que, para ir ao dentista não tens outra alternativa senão pedir para entrar mais tarde ou sair mais cedo do trabalho. 

Assim sendo, 2ª feira, antes de ir trabalhar, lá estava eu à hora de abertura da clínica mais perto de minha casa para me registar e tentar arranjar o "milagre" de ter uma consulta nessa mesma semana. O "milagre" deu-se para o dia seguinte, pois consegui finalmente uma consulta (pensava eu, para mandar a minha dor de dentes embora de vez!). 

Nada a dizer da dentista, pois era muito simpática e atenciosa, já do tratamento, enfim...É ao bom estilo Ryanair: temos a base - 30 libras - (primeira consulta, nas posteriores é mais barato) e depois qualquer serviço paga-se à parte! Por cada raio-X foram 7.5 libras (foram 4 no total, portanto é só multiplicarem). E ponto final da consulta, pois o tratamento teria que ser noutra marcação pois a 1ª consulta é só avaliação! Maravilha, não é? Ah e a cereja no topo do bolo ficou para o fim, pois o diagnóstico era infecção num molar e a necessidade de fazer uma desvitalização (ou root canal treatment, como é conhecido por estes lados). Pois bem esse serviço custa nem mais nem menos que 300 libras! É verdade, não me enganei a escrever nem pus mais um zero. Aliás, varia entre 300 e 500 libras pelo país fora! Eles poderiam fazer esse tratamento "convencionado" com o NHS e isso custar 48 libras aos pacientes, mas nem eles nem quase ninguém o faz, claro, ao bom estilo "cartel": assim comemos todos...

Evidentemente disse "Nem pensar" e perguntei se não poderia fazer nada para me aliviar a dor até ir a Portugal nas férias e ir à minha dentista habitual. Pois mesmo que precise de mais do que uma consulta para concluir o processo de desvitalização, ficará bem menos que 350 euros (as tais 300 libras, ao câmbio actual). Ela riu-se. Marquei 2ª consulta para fazer um tratamento "para aguentar" e, até ver, a dor foi embora e vou-me safando. Espero que assim continue até voltar aí! (*batida na madeira*)

Resumindo, quando digo experiência ao estilo Ryanair não estou a exagerar, pois tudo o que não faz parte do valor inicial da consulta é extra e a conta é como o balão: sobe sobe! Por exemplo, se tivesse feito uma daquelas limpezas dentárias básicas, eram mais 18 libras a somar à base... e sem copinho de água no fim para tirar os restos da intervenção. Pequenos pormenores que dizem muito... Nada como a nossa TAP, onde somos tratados como passageiros e nos sentimos em casa!...

E ainda nos queixamos dos dentistas serem caros em Portugal, depois disto fiquei verdadeiramente tentada a tirar Medicina Dentária e ganhar o quanto quiser por cá, pois este é um feudo e tanto! 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ir ao dentista no Reino Unido: uma aventura a evitar! (parte 1)

Este post é dedicado à nossa mais recente aventura: os serviços dentários no Reino Unido.

Fonte: clipartlogo.com

Como todos devem concordar certamente, a dor de dentes é das dores mais horríveis de suportar. Posto isto, e após vários dias de bastante sofrimento e em dor crescente, fui obrigada a recorrer ao serviços dentários. Fui aconselhada por colegas de serviço a contactar o Serviço Nacional de Saúde (NHS) através da linha de emergência, pois só desta forma conseguiria arranjar uma consulta num dentista visto não estar registada numa clínica dentária (aprendi que da mesma forma que nos temos de registar no centro de saúde local, temos de nos registar no dentista local...). E mesmo assim teria de esperar cerca de uma semana! Uma emergência... Fiquei espantada com esta resposta, pois não podia esperar este tempo todo!

Lá liguei para a linha de emergência a uma Sexta-feira e falei com uma senhora que tomou nota da minha exposição. Ela prometeu falar com o médico, para averiguar o quão urgente era o meu caso, e ligar-me logo que possível. Cerca de 30min depois recebo uma chamada do médico a pedir novamente para expor o caso. No final desta exposição, o médico diz-me que nesse dia não é possível ser atendida mas que voltasse a ligar para o mesmo número no dia seguinte às 8h manhã a ver se tenho mais sorte! Fiquei indignada mas não tinha outro remédio, senão passar mais outra noite em claro e com dores insuportáveis. Porque isto é mesmo assim: é "à descrição" de quem está do outro lado atribuir consulta ou não!! E não é a questão do dinheiro: no privado praticamente não há serviços de emergência e, onde há, é só para quem está registado na respectiva clínica! Ah, pormenor importante: atendimento ao Sábado é considerado "emergência"...

No dia seguinte, Sábado de manhã, ligo então e a mesma coisa se passa. Recebo uma 2ª chamada (às 8h30m) e finalmente é-me atribuído um atendimento às 9h30m numa clínica dentária do NHS a 45min de casa. Tal era o meu desespero que saímos imediatamente em direcção ao local.

Chegada à clínica fui atendida por uma senhora bastante simpática que me pediu para preencher um formulário e pagar as 18 libras da consulta (taxa de consulta dentária de emergência). Entretanto, 1h depois do horário que me fui atribuído ao telefone, sou chamada pelo dentista e tenho o atendimento dentário mais rápido de toda a minha vida (10 min., nem mais nem menos!!!). Neste tempo relatei ao que vinha, disse a medicação que estava a tomar; o médico tirou umas radiografias e receitou-me uma medicação. "E pronto pode ir à sua vidinha e registar-se numa clínica dentária para receber tratamento, pois aqui é só diagnóstico"...Muito útil, não?

Pois e assim foi... vejam no próximo post a continuação desta aventura!
 

terça-feira, 16 de abril de 2013

A costa de Norfolk

No passado fim-de-semana parece que meio Portugal foi "tirar as teias-de-aranha" à praia, após meses de tempo inclemente. E nós não quisemos ficar atrás!!

Apesar de nos últimos meses o tempo por cá ter sido bastante bonzinho (nada comparado ao horror de 2012), não esteve particularmente "quente". E continua a não estar. Mas o solzinho de Primavera convidou a conhecer a zona costeira mais próxima de March: a costa de Norfolk.

As praias de Norfolk, com destaque para Brancaster. March está também assinalado (fonte: tournorfolk.co.uk)
Fomos à praia de Brancaster que, segundo havíamos lido, era um extenso e fino areal, convidativo a um belo passeio a pé. E não era publicidade enganosa!


A praia de Brancaster
Claro que o tempo estava mais para fato de esquimó do que de banho, mas neste país há sempre "crentes". E que são convertidos logo em bem tenra idade!
Mamãs a voltar de levar as meninas a tomar banho...
Uma particularidade desta praia é que ela com frequência "deixa de existir": em maré alta, o areal é engolido pelo mar até bem acima do parque de estacionamento! Nem mesmo as vastas dunas o impedem...
O fim da praia. Reparem que a areia está cheia de conchas e algas, indicadores da presença do mar
O aviso não engana: isto acontece mais de vez em quando do que de quando em vez...
É, portanto, uma praia "molhada" e não o estereótipo "tuga" de praia "papo para o ar e torrar". Óptima para uma corrida ou um passeio com os cães (que são bem-vindos nesta praia).




Anexo à praia temos um clube de golfe com quase 6 km (!) de comprimento, o Royal West Norfolk Golf Club.

O Royal West Norfolk Golf Club
Sem dúvida esta costa é um óptimo motivo de passeio e uma boa surpresa! Contudo, comparando com a costa do Sul de Gales, esta "não chega lá". Mas dá para enganar a saudade e sonhar com a "nossa" praia: com Nortada, mas orgulhosamente "nossa"!
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Boston, Lincolnshire

No passado fim-de-semana fomos a Boston...não, não é "esse" Boston (no Massachusetts, EUA): é Boston, Lincolnshire. Curiosamente, o Boston dos EUA deve o seu nome a este Boston, devido aos colonos britânicos daí provenientes que lá atracaram algures no século XVII. E este não é caso único: não faltam exemplos de cidades britânicas com nomes correspondentes no Reino Unido! Por exemplo, Cambridge existe também no Massachusetts e é casa da famosa Universidade de Harvard. Mas também existe Londres (numa variedade de estados), Birmingham (no Alabama), Sheffield (em vários estados também), York (New York...) e até Cardiff! Mas não é desta curiosidade que vos queremos falar hoje.

Boston (Lincolnshire) é também casa de uma grande comunidade portuguesa: cerca de 5000 pessoas numa cidade com população total de 65000. Boston é uma cidade com um pequeno porto, em plena Inglaterra rural. Está bem no centro da maior zona de produção agrícola (estufas na sua maioria, o clima não dá para mais) da Grã-Bretanha. E é exactamente para esta indústria que têm vindo trabalhar nas últimas décadas estes nossos compatriotas, seja em trabalho sazonal ou permanente.

Boston, Lincolnshire (fonte: Wikipedia)
Quem chega a Boston e, em particular, ao "bairro" português não nota nada de diferente. Não se vêem lojas com indicações portuguesas (como em Lambeth e Stockwell em Londres), muito menos bandeiras portuguesas nas janelas. A constatação é evidente e a tensão sente-se no ar: os portugueses em Boston (e na maior parte da Inglaterra rural) não são bem-vindos por uma parte significativa da população.

O motivo é fácil de adivinhar. É a boa velha treta do "vêem estes aqui roubar os nossos empregos. Ide para a vossa terra.". Treta, por muitas razões. A maior destas é a que está visível para todos, menos para estes nativos: porque é que os patrões se dão ao trabalho de ir a Portugal buscar tanta mão-de-obra, na sua grande maioria indiferenciada, com tanta mão-de-obra britânica disponível?... o tom é sarcástico, já perceberam. Simplesmente, os nativos não estão na disponibilidade de fazer este trabalho. Não só os portugueses (entre outros estrangeiros, com os polacos à cabeça) ajudam a levar a agricultura britânica para a frente, como ainda ajudam a economia local e nacional: fazem descontos para a segurança social, pagam impostos, renda e imposto municipal (council tax), consomem nos (super)mercados locais, ajudando a criar novos empregos...é preciso mais? Isto é o que se pode chamar um "win-win" para nativos e estrangeiros. Mas há quem veja muito curto...

Situações lamentáveis envolvendo ataques e provocações têm vindo a decrescer, ao que parece. E ainda bem. Aparentemente, as pessoas já estão mais habituadas aos portugueses agora. Mas ainda não o suficiente para o supermercado Boston Delicatessen ter no exterior qualquer menção a Portugal. Infelizmente. Mas no interior é como se estivéssemos em casa (quase!). Mas uma casa "partilhada" com polacos e outros nativos do leste da Europa. É isso que a Boston Delicatessen é: um espaço onde encontramos um pouco de tudo que tomamos por garantido quando estamos em Portugal, inclusive um simples "olá" em Português.

Nunca nos sentimos "a mais" por aqui, pelo contrário. Ainda não tivemos o azar de ouvir "vai para a tua terra". Mas somos tão estrangeiros quanto os outros, pode acontecer... e os tempos estão para ressuscitar velhos extremismos pela velha Europa...esperamos estar enganados!

terça-feira, 5 de março de 2013

"Santa" Sexta-feira

Todos temos os nossos rituais. Mais que a maioria dos povos, os britânicos são certamente feitos de rituais. Um deles é o jantar fora à Sexta-feira. É literalmente a "loucura-loucura" em tudo o que é restaurante!

A "alergia" britânica a "perder tempo" com cozinhar é bem conhecida. Não é preciso haver um dia específico para o take-away, qualquer dia é bom...excepto Sexta-feira. O porquê? Não sabemos exactamente, mas é uma constatação que temos vindo a fazer. Seguramente não haverá relação com a tradição judaica, pois não nos parece haver expressão relevante. Dado o Sábado ser dia de observância especial para os judeus, o jantar de Sexta-feira é mais festivo.

Seguramente terá a ver com a alegria de se chegar ao fim de uma longa e dura semana de trabalho e não se "estar com cabeça" para sequer pensar em cozinhar.  Nós por cá, em March, temos uma escassa escolha para comer fora. Para além dos inevitáveis take-aways, não sobram muitos restaurantes. Temos os pubs, indianos, chineses e um italiano. O italiano é potencialmente interessante, mas o aspecto não é muito convidativo. Mas, quem sabe se não será uma surpresa? Mas, se querem mesmo saber, o que nós gostamos mesmo é do restaurante de cá de casa. Não é que sejamos um portento culinário (muito longe disso), mas se queremos comida que se pareça com aquilo que sempre gostamos e aprendemos a amar no nosso Portugal... é como nas botas e nos relógios: faz tu mesmo!!...

Para o fim, deixamos uma foto que diz tudo. Mais que um slogan de um portal de take-aways, um modo de vida!

Fonte: just-eat.co.uk

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A educação "positiva"

Este post é dedicado a algo que me deixou "chocada" logo nos primeiros dias de trabalho, mas em linha com o que já me vinha deparando no dia-a-dia. Mais do que falar em diferenças culturais, queremos aqui falar de diferenças educacionais bem vincadas entre as nossas crianças e as crianças do Reino Unido.

Desde cedo que todos os pais ensinam aos seus filhos o que é certo e o que é errado, a diferença entre o bem e o mal, o que eles podem ou não fazer. A isto chamamos impor limites e definir claramente até onde as crianças podem e não podem ir. Consequência disto é o facto de, quando a criança passar esses limites, sofrer uma consequência para aprender a lição e não voltar a repetir a "gracinha" na próxima vez. Naturalmente, que falamos aqui de consequências negativas tais como castigos (ex.: ir directamente para a cama logo que acabe de jantar, ficar sem ver TV durante 3 dias, etc.).

Pois bem, aqui no Reino Unido, as coisas não são bem assim. Lido diariamente com crianças e adolescentes bem difíceis, que constantemente testam todos os limites e mais algum. E que lhes acontece? Nada, na verdade. E eles sabem bem disso. A lógica no Reino Unido é reforçar os comportamentos socialmente aceitáveis e não prestar atenção aos comportamentos erróneos, através do pressuposto da extinção desses comportamentos pela desvalorização dos mesmos. Resultado? Não há consequências negativas para estes miúdos! É mesmo assim e não estou a exagerar! É assim que as coisas funcionam por cá, foi-me dito. Quando queremos que um miúdo faça alguma coisa ele tem de receber sempre alguma coisa em troca para o fazer. Por exemplo, para arrumar o quarto tem de receber dinheiro (5 libras, por exemplo). E perguntam vocês: mas eu arrumo o meu quarto e ninguém me paga? Pois é, mas aqui os miúdos são educados maioritariamente assim. Mas há um ou outro limite que conseguimos estabelecer. Por exemplo, a proibição do consumo de refrigerantes e bebidas altamente açucaradas (e "cafeínadas") como o Red Bull. Sabem o que disse um profissional de saúde aquando de uma visita? Que esta regra era um atentado aos direitos das crianças! Imaginam isto? Ainda bem que se trata de um profissional da saúde e não do ensino, pois assim não corremos o risco dele ensinar um filho nosso!

Mas tudo isto deixa-nos a pensar bastante sobre ter e educar os nossos filhos neste país tão diferente do nosso, e o infantário/escola onde o colocar. Uma coisa é certa: filho nosso vai saber a diferença entre o que pode e não pode fazer e que se ultrapassar o limite é castigado. Nisto Portugal está milhares de anos-luz à frente do Reino Unido!
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Postais para todos os gostos e feitios

Há tradições que lutam por resistir no tempo em que permanentemente se procura a "next big thing". Por aqui, os postais são uma dessas tradições.

O acto de enviar postais parece ter entrado em declínio acelerado aquando do aumento de popularidade das mensagens de telemóvel, dos e-mails e, agora, das redes sociais. Falo por mim, muito poucos são agora os postais que escrevo por ano! E seguramente falo por muitos, pois em Portugal tenho ideia de ver decrescer a oferta de postais nas papelarias (estas também em vias de extinção!) e nas grandes superfícies ao longo dos últimos dez anos, pelo menos.

Pois no Reino Unido salta à vista uma realidade diferente. O postal ainda é muito forte por cá! Em qualquer zona comercial deste país se encontram lojas de postais, a maior parte delas franchises de grandes companhias. Lojas enormes, com milhares e milhares de postais para escolher. É uma perdição para quem gosta!

E há postais de tudo: para os pais, irmãos, primos, cunhados, sogros e demais família; mas também para os namorados (incluindo casais gay!), amigos, colegas de trabalho que se vão reformar, etc. E para todas as ocasiões: para além das mais vulgares, também há postais para despedidas de solteiro (que aqui são um espectáculo à parte), desejos de melhoras, boas-vindas/retorno a casa, pedidos de desculpa, e muito mais.

Os tempos não estão fáceis para ninguém e a Clinton Cards, que era uma das maiores no ramo, entrou em reestruturação há uns meses e veremos se se aguenta. O mercado já não dá para todos... a Card Factory, que é a nossa preferida, é agora um dos líderes no negócio dos postais aqui no Reino Unido. Lojas com uma inacreditável quantidade de postais e outras lembranças a preços super baixos (comparados com Portugal).

Uma loja da Card Factory (fonte: http://www.visitblackburn.co.uk)

Isto para já não falar dos super e hipermercados, que têm sempre uma secção mais ou menos recheada de postais.

Em suma, em 2013 muitas pessoas no Reino Unido continuam a ver no postal a melhor forma de assinalar os pequenos e grandes momentos da sua vida. E ainda bem! Esperemos que por muito tempo!

Desde há umas semanas que se vive a febre do Dia dos Namorados. Vai ser o primeiro postal do ano! E para vocês? 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Fake it in private

Traduzido literalmente: "falsifica-o em privado". Sem meias tintas! Mas o que é que se falsifica em privado?


Voltemos a Cardiff e vejamos esta loja, com este sugestivo letreiro. É nem mais nem menos que um solário!

É um solário que vai directo ao assunto! Pois é mesmo isso que eles fazem: pôr as pessoas a "aldrabar" em privado. Pondo de parte a questão ética de "incentivar a mentira", vamos deter-nos na questão da ida aos solários. O que infelizmente também é verdade para a generalidade do povo britânico (e parte do povo português!) é que o seu tipo de pele é o chamado "tipo I". O "tipo I" é definido por uma cor de pele muito clara e pela frequente presença de sardas.  É também característico destas pessoas cabelos ruivos, castanhos ou loiros e olhos claros (azuis, verdes, ...). É uma fisionomia com que contactamos frequentemente. Estas pessoas queimam com frequência e muito raramente bronzeiam, como sabemos. Lamentavelmente muitos por aqui querem ainda assim reverter a Mãe Natureza e ser "morenos" à força. Podemo-vos garantir que aquilo a que chamamos pejorativamente "moreno de sarro" em Portugal é uma brincadeira comparado com algumas coisas que vemos por cá. Falsificação em excesso, bom gosto em defeito...

Genuinamente, pensamos que é uma pena. Os britânicos nascem especialmente bonitos: tipicamente loirinhos, muito branquinhos, e com olhos claros. Mas logo que crescem querem-se definir por um ideal de beleza que não é o da sua cultura, seguramente por bons motivos, não os discutimos. Mas simplesmente... não dá. Entretanto, o negócio vai florescendo e seguramente o trabalho dos dermatologistas também.
 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Novo ano, nova etapa!

Agora que Cardiff fica para trás (mas apenas geograficamente!), é altura de "escrever a página" de March a dois.

O contraste é imenso, mesmo considerando que Cardiff não é propriamente uma metrópole. Uma das primeiras coisas que se nota é a diferença nas pessoas. A percentagem de não-britânicos é seguramente menor aqui, por contraste com a média de idades. Cardiff tem quatro universidades, o que se nota bem quando saímos à rua por lá. Por cá, se houvessem seriam universidades seniores...

No geral, as pessoas não parecem tão simpáticas nem especialmente felizes. Ainda estamos a descobrir melhor esta zona do país, mas parece desde já evidente que não é nem das zonas mais industrializadas nem das mais belas. Mas para comprovar isto teremos os próximos tempos! Este é o "pontapé de saída" para mais um ano n'O Meu Lado Solar! Desejamos-vos o mesmo que desejamos para nós: um ano de 2013 cheio de realizações e conquistas!

fonte: http://natthybulgaro.blogspot.com