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domingo, 5 de janeiro de 2014

A história dos 3 porquinhos não podia fazer mais sentido neste país!

O primeiro post de 2014 só podia ser dedicado à nossa mudança de residência de March para Bury St. Edmunds. Até agora tínhamos sempre vivido em apartamentos mobilados.

A nossa primeira casa em Cardiff era bastante compacta mas muito ajeitadinha, com pouco mais de 40 metros quadrados. Sim, não é engano, eram mesmo 40m2! A nossa maior divisão era o quarto que ficava virado para a rua, o que o tornava um pouco barulhento (mas aguentava-se bem!). Já a cozinha ficava debaixo das escadas da casa, que davam acesso aos apartamentos do 1º e 2º andar.


A casa de Cardiff

Quando nos mudamos para March as coisas melhoraram significativamente pois tínhamos um T2 bastante razoável, onde já podíamos receber familiares e amigos confortavelmente. Mas claro que o melhoramento em termos de tamanho não foi assim tanto, pois o nosso apartamento tinha 59 metros quadrados. Mas em termos de barulho, tirando o Sábado à noite e o Domingo por volta das 8h30m em que éramos acordados pelo pub da esquina a colocar as garrafas da noite anterior no vidrão, foi uma grande melhoria! Também tínhamos bastante Sol durante todo o dia, o que tornava a casa bastante quentinha, e um lugar estacionamento na rua mas não coberto, o que era motivo de grande preocupação nos dias de neve. Mas a cereja no topo do bolo eram mesmo os vizinhos, dos quais não temos saudades nenhumas!

A casa de March

Tendo mudado e melhorado a nossa situação, e pensando mais a médio prazo, decidimos que a nossa próxima casa seria uma casa em vez de um apartamento, com alguns requisitos básicos: ter garagem e um jardim pequeno para poder fazer uns churrascos quando o tempo permitir e desfrutar de tempo de relaxe em família (visto que não se deve ensinar "varandas" nos cursos de arquitectura deste país...). Posto isto, depois uma procura alargada e de uma decepção, lá descobrimos a nossa casa em Bury St Edmunds. Ainda está um bocado longe de ser a casa dos nossos sonhos mas preenche a grande maioria dos nossos requisitos e está dentro daquilo que queremos e podemos pagar. E claro fica em Bury St Edmunds, o que a torna mais especial! A casa é um T3 mas não fiquem muito entusiasmados porque na verdade o que neste país é T3, equivale a um T2 em Portugal (e mesmo assim...). Portanto, na verdade temos um T2 + um "quarto de bonecas " que mede 2m por 2,5m. Tudo isto perfazendo 75 metros quadrados, o que torna as cozinhas de 7m2 que vimos no IKEA em Londres perfeitamente lógicas.

Mas o que faz sentido neste país é a história dos 3 porquinhos. Toda a gente conhece bem esta história, que faz parte da infância de todos nós. Mas porquê, perguntam vocês? Esta foi a primeira casa que arrendamos completamente vazia, isto é, não mobilada. A única coisa que tínhamos eram os electrodomésticos da cozinha. Nem sequer cortinas tinha! E foi precisamente por aqui que começamos. Ora bom, quando penduramos as cortinas nos varões(que já pertenciam ao inventário da casa) ficamos com um bocado de parede na mão e o varão na outra! Visto as paredes serem "falsas" (serem feitas de madeira), eles não usaram buchas para afixar as coisas. O mesmo se passou quando colocamos os candeeiros cá em casa e verificamos que o pendente da lâmpada estava afixado directamente no tecto, novamente sem buchas! O resultado, tá visto claro, quando fomos meter o candeeiro ficamos com um bocado de tecto no mão. E podíamos continuar por aqui fora com mais exemplos mas não vos queremos maçar muito! Escusado será dizer que casas como estas são mato por aqui e que são vendidas a preço de luxo...

Moral da história: aqui as casas são essencialmente feitas de madeiras, tal como a casa do 2º porquinho da história dos 3 porquinhos, e vindo um vendaval mais forte lá vai tudo pelo ar! Vamos rezando e esperando que o lobo não passe por estes lados, senão vamos ter de ir em busca de uma casa de tijolos rapidamente!
Fonte: http://vector-magz.com/wp-content/uploads/2013/10/three-little-pigs-clip-art.jpg

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

"Faz tu mesmo" - parte 2 - dia de ser "sapateiro"

Ora chegou bem depressa o dia de estrear o meu kit de sapateiro! Tínhamos aqui um par de botas cujas capas dos tacões estavam a dar as últimas. Logo, toca a comprar um par de capas novas!

Capas de bota de senhora
Aqui vai o meu "tutorial" de sapateiro "faz-tu-mesmo", baseado no vídeo deste senhor. O primeiro passo para substituir as capas é, naturalmente, retirar as anteriores.

Primeiro passo - retirar as capas antigas (usei um alicate de corte)
Em seguida, há-que lixar o tacão, a fim de retirar os vestígios de cola do tacão anterior. Lixei também os novos tacões para aumentar o atrito dos mesmos (para melhorar a colagem).

Lixar os tacões (usei uma lixa de média rugosidade - P100)
Aplica-se um pouco de cola de sapateiro nas solas e espalha-se usando uma esponja velha. Não é necessário muita cola!

Aplicar e espalhar cola

Esperamos entre 15 a 20 minutos. É o momento de juntar o tacão à nova capa. Como sabem, a cola de sapateiro é uma cola de contacto e por isso temos de pressionar firmemente ao fazer a junção das duas peças.

Unir o tacão com a nova capa
Deixamos as capas repousar cerca de 12 horas. Eu deixei da noite para o dia. Sim, 12 horas parece excessivo, mas segui as instruções como quem vende o peixe pelo mesmo preço que o compra...

Deixar assentar a colagem

O pormenor dos elásticos tem a ver com a ajuda que podem dar a firmar o contacto entre os tacões e as nova capas.

É agora altura dos acabamentos. Precisamos em primeiro lugar de cortar o "excesso" das capas. A faca a usar é importante. Uma faca com ponta em gancho (em J invertido) é o ideal, pois ajuda a fazer o seguimento do contorno do tacão.

Cortar o "excesso" das capas

Por fim, é altura de colocar quatro pregos de 20 mm em cada tacão, como medida de segurança.

Colocar quatro pregos em cada tacão

E voilá!

Missão cumprida!

Devo confessar que os acabamentos não ficaram uma perfeição, mas penso que está bastante razoável para uma primeira vez!

Aqui está um exemplo de uma coisa que se pode fazer em casa sem especiais conhecimentos e gastando quase dinheiro nenhum e que lá fora seria, como eles chamam aqui, um "rip off".
 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"Faz tu mesmo" - parte 1

Quando falamos em "faz tu mesmo" (do it yourself em inglês), alguns poderão associar imediatamente a "auto-ajuda" ou outros termos pomposos para a resolução de problemas "por si mesmo". Não é de nada disso que este post se trata. Ou talvez sim...!

O "faz tu mesmo" é uma expressão que incorpora todo o tipo de pequenos trabalhos (pinturas, consertos, limpezas, arranjos, etc.) que fazemos nós mesmos em vez de recorrermos a "profissionais". Eu já desconfiava o porquê disto ser tão popular no Reino Unido, mas tive a confirmação há poucas semanas!

Na verdade, esta "auto-ajuda" é uma grande ajuda ao bolso! Depois de ter sido explorado de forma quase pornográfica há poucas semanas ao mudar duas simples baterias de relógio de pulso e ajustar uma bracelete, decidi meter as mãos à obra daí em diante. E "fazer eu mesmo"!

Apresento-vos o meu kit de "auto-ajuda" ao arranjo de relógios (16 peças):


Legenda:
1 - 1 removedor de elos de bandas metálicas
2 - 1 martelo de precisão
3 - 1 suporte para bandas de relógio
4 - 1 chave de abertura de tampa de relógio
5 e 7 - 2 chaves tipo "Phillips"
6 - 1 chave de remoção de bandas de relógio
8 - 3 chaves de fendas
9 - 1 canivete para abertura de tampa de relógio
10 - 1 pinça
11 - 1 alicate de pontas plano
12 - 3 punções metálicos

Já tenho também um carregamento de pilhas para todas as necessidades!


Tudo isto custou-me menos de um terço do que paguei para mudar 2 pilhas e retirar dois elos de uma banda metálica...

Antecipando o potencial tombo de fazer pequenos arranjos em sapatos, também já adquiri o "kit de sapateiro"!

Alicate de corte
Lixas de várias rugosidades

Cola de sapateiro

Faca com lâmina em gancho

Pregos de 20 mm

O "kit de sapateiro" vai ser usado muito em breve, portanto fiquem atentos ao blog!!
 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Burocracia contra ataca - a electricidade

Bem tínhamos dito que voltaríamos às burocracias da casa caso se justificasse. Após 10 meses vamos agora pagar a nossa primeira factura de electricidade (gás ainda estamos para ver...). Depois de vários episódios, alguns deles bem rocambolescos, claro. Difícil de acreditar?

Pois parece que por estes lados isto é mais frequente do que podem imaginar. A separação do negócio de venda de energia a consumidores domésticos por várias empresas (privadas) - a chamada liberalização - levou a que qualquer consumidor possa escolher e trocar de operador à sua vontade e sem qualquer penalização. Este processo está agora ao rubro em Portugal, mas no Reino Unido o fenómeno já tem vários anos. Para funcionar, isto envolve não só os diversos fornecedores mas também múltiplos intermediários. E cresce a burocracia...

O que aconteceu no nosso caso é que, como em muitas casas por este país fora, houve algures uma alteração na topologia da casa para passar de uma grande casa para 4/5 pequenos apartamentos. Isto para responder às sempre grandes necessidades de arrendamento (outro mundo comparado com Portugal). E o que isto tem de especial? É que ao instalar novos contadores, eles ficaram propriedade de diferentes companhias de electricidade. Algumas delas faliram ou foram absorvidas por outras. Pelo meio, perdeu-se informação. Mais, a maior parte dos contadores ficou associado a diferentes configurações de morada: uns ficaram com "apartamento 1", outros com "primeiro andar", outros ainda "apartamento B". E quando houveram alterações de fornecedor, o novo fornecedor consultou as bases de dados nacionais, dos correios e dos councils e não encontrou maneira de relacionar moradas com contadores. E numas moradas o contador era bi-horário, noutros era de tarifa simples... Logo, não havia maneira de cobrar correctamente as pessoas. E isto arrastou-se... até agora!

Ao chegarmos a esta casa, iniciamos o processo de contactar o fornecedor de electricidade e tivemos a completa noção que eles estavam às aranhas. Foi graças aos dados que fomos fornecendo, à ajuda da senhoria e às visitas à casa de técnicos que se foi desenrolando o novelo e se conseguiu atribuir moradas a contadores e o fornecedor pode solicitar alterações para harmonizar as moradas nas bases de dados de electricidade. Mas ainda falta o gás...

Temos a perfeita noção que se fizéssemos o que todos para trás fizeram nesta casa (assobiar para o ar e deixar andar), não pagaríamos nem um cêntimo. Quantos casos destes e similares não haverão por aí e que nunca se irão resolver? Milhares, dizemos nós. "It's hopeless", como disse sabiamente a nossa senhoria.
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

March: a nossa nova morada

A cidade de March é a nossa nova morada. Situada a 88 milhas de Londres (142km) e a cerca de 30 milhas (50km) de Cambridge (em Inglaterra, portanto!), está bem longe do "fervilhar" de qualquer uma delas.

Com cerca de 20000 habitantes, pertence ao Fenland District Council, estado de Cambridgeshire. Tem como cidades vizinhas Ely, Wisbech e Peterborough, sendo a última a maior e mais próxima da ideia que temos de uma cidade.

Foi noutros tempos um importante centro ferroviário, fazendo ligações com o Great Eastern e com as linhas do norte. Hoje é apenas uma simpática vila rodeada de campo e gado.

É banhada pelo rio Nene, o que lhe dá um ar peculiar, mas não se entusiasmem muito porque de similar com Veneza ou até com Aveiro tem pouco!

Foto retirada do site da Wikipédia
Tem um agradável espaço verde, onde pequenos e graúdos podem desfrutar de algum descanso junto ao rio.
Pormenor do parque da vila de March, junto ao rio Nene

Tem uma zona central bem demarcada pelo edifício do Town Hall e por uma rua comercial. Na praça do Town Hall, todas as Quartas e Sábados faz-se o mercado municipal, isso sim muito tradicional e com produtos frescos e de qualidade a preços acessíveis, onde fazemos questão de ser presença assídua! Eis uma foto da praça em dia de mercado.

Foto retirada do site da Wikipédia 

A zona de comércio (até às 17h, o que não serve de muito visto que chego a casa por volta das 18h!) desenvolve-se toda basicamente em redor de uma rua - Broad Street - como podem ver na foto abaixo.

Foto retirada do site da Wikipédia



Apesar de estar longe de ter a beleza e vida de Cardiff (e da qual temos muitas saudades e será sempre no nosso coração), não deixa de ser um local/ponto de ligação para conhecer outros locais bem mais interessantes e apetecíveis tais como Cambridge, dos quais falaremos noutro post! 

P.S.: Continuamos em Cardiff, ainda que a 50%! ;) Mais novidades de Cardiff em breve!
 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O Reino das carpetes

Uma característica distintiva dos edifícios britânicos é o uso de carpetes!

É verdadeiramente impressionante como, de casas a hotéis, passando por escolas, hospitais, igrejas, lojas, pubs, transportes... mais de 90% tem o chão forrado a carpete!

O Techniquest também usa carpetes...
Ainda sou do tempo (que velho que isto soa!) em que as carpetes também eram uma praga em Portugal, do chão às paredes! Felizmente, as minhas alergias forçaram a sua rápida substituição em minha casa por parquet flutuante. Esta substituição ocorreu numa altura (inícios dos anos 1990) em que o parquet flutuante já se estava a tornar um standard nas novas construções no nosso país, mercê doutra disponibilidade económica associada a novos requisitos de qualidade e conforto.

Pois parece que por aqui a maneira de pensar (ainda) é outra... felizmente as alergias já não me apoquentam, caso contrário ia ser complicado! Provavelmente por herança cultural, por motivos térmicos (uma casa com carpete aparentemente tende a ser mais quente) ou ainda por comodidade (aspirar uma carpete é mais fácil que encerar/espanar um soalho), o que é certo é que a carpete está no Reino Unido para lavar e durar (ou, literalmente, para aspirar e durar!).

Um dos motivos (consciente ou não, nem sei bem) que nos trouxe a este apartamento aqui em Cardiff foi o facto de não ter carpetes, mas esta foi uma sorte que dificilmente voltaremos a ter por estas bandas. E esta "sorte" é relativa, pois o que temos aqui em casa é um sucedâneo de parquet flutuante, um daqueles soalhos foleiros que imita madeira e cuja forma mais eficaz de limpar é de balde e esfregona... Já vos tínhamos dito que o forte do Reino Unido não eram as casas, pois já?
 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Portugal à mesa em Cardiff!

Depois de muito tempo a sonhar com produtos como o bacalhau ou o simples pão ralado, eis que descobrimos esta pequena maravilha a poucos minutos a pé de casa: uma mercearia  só com produtos produtos nacionais, a Benedito's - Portuguese Delicatessen! Não acreditam? Então vejam aqui.

A lista de produtos é interminável mas aqui ficam algumas das coisas que trouxemos para casa na nossa primeira visita (e após muita reflexão e ginástica mental já que a vontade de trazer tudo era grande!).


E claro que não é preciso dizer que nos tornamos clientes assíduos desta mercearia! Bem hajam e continuem por aqui, que nós também!
 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O lixo e o luxo!

A gestão do lixo é outro dos pontos que separa Portugal do Reino Unido.

Aqui, ao contrário da maior parte dos sítios em Portugal, não há caixotes do lixo comunitários e ecopontos em cada esquina. Há, sim, um sistema de recolha diferenciado!

fotos retiradas do site do Cardiff Council

Os sacos verdes são distribuídos gratuitamente e devem conter todo o tipo de lixo reciclável. Os sacos pretos são para o lixo não reciclável e o caixote castanho é para colocar sacos biodegradáveis (que também são fornecidos) com restos de comida. O caixote verde (não temos na nossa casa) é para entulho de jardins compostável (terra de vasos, erva, etc.) e o caixote preto tem função semelhante ao saco preto. A fim de serem recolhidos, os sacos e o caixotes devem ser colocados na via pública, como se pode ver na imagem (a ordem não é importante!!!).

Até aqui é tudo muito civilizado. O problema é a periodicidade da recolha: os sacos verdes e o caixote castanho são recolhidos semanalmente, enquanto os outros são recolhidos quinzenalmente!!! Ora não admira portanto que o panorama de uma típica rua de Cardiff em dia de recolha seja este.



Não é grande postal de visita, pois não? É de perder de vista...

É compreensível que este esquema seja mais sustentável para o conselho municipal (Cardiff Council) e permita uma melhor gestão do lixo, mas é difícil evitar tornar a nossa casa numa "casa de lixo" com um sistema destes. Daí, o que muita gente faz é usar o jardim como "depósito de lixo" até ao dia de recolha. Os que não têm jardim, pura e simplesmente vão colocando o lixo na rua conforme o vão fazendo. E o resultado são ruas cheias de lixo quase todos os dias...

foto retirada de http://yourcardiff.walesonline.co.uk/2010/06/14/ashamed-of-cardiff-dirty-streets

No nosso caso, visto só sermos dois, fazemos uma quantidade de lixo pequena, mas ainda assim temos de o "gramar" dentro de casa até ao dia da recolha...

Não da mesma forma que se encontra lixo (mas anda lá perto), é também frequente encontrar luxo nas ruas de Cardiff. E de que forma? Serão as casas? Nãao! São os carros!



Aqui são raras as pessoas que ligam à casa (pelo menos ao seu aspecto exterior), contrastando com a "bomba" que têm à porta. É um contraste que em alguns casos é até chocante!


Nisto de lixo e luxo encontra-se uma forma de encarar a vida e as prioridades diferente da nossa. Não nos compete dizer se é melhor ou pior, é apenas diferente. E se fosse tudo igual, não tinha tanta piada! Mas surpreende ver coisas típicas de países terceiro-mundistas num país tão civilizado, o que nos faz suspirar (ainda mais) pelo nosso Portugal...
 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O primeiro passo: a nova casa (3)


Com as mudanças, vêm as contas. E como nada que saiba bem é obtido sem dificuldades, também temos bastante que contar!

Uma das primeiras coisas que fizemos mal chegamos à nova casa foi reportar de imediato à companhia de electricidade e gás (a mesma para os dois, no nosso caso) e à companhia da água que tínhamos chegado à casa, que queríamos comunicar as leituras e abrir ficha na empresa. 

No caso da companhia da água, correu tudo lindamente e ficamos a saber que não tínhamos contador da água em casa, pois a nossa casa ainda é do tempo em que a conta da água depende do valor comercial da casa. Eu explico: até há alguns anos não existiam por aqui contadores de água e a mesma era paga pelo valor comercial da habitação, calculado pelo conselho municipal. Gastasse-se muita ou pouca água, pagava-se o mesmo. No entretanto as coisas mudaram, mas quem quis manter este sistema pôde. Nas novas casas e para quem livremente mudou para o sistema de contador, já não se pode voltar a usar este sistema de pagamento da água. No nosso caso, temos uma casa sem contador e, depois de reflectirmos um pouco, pensamos que não valeria a pena mudar o sistema (a senhoria não tinha objecções à mudança).

Quanto à companhia de electricidade e gás…meia dúzia de chamadas e mais de meia hora de chamadas para o call centre (a pagar, pois claro!) não chegaram ainda para resolver os problemas! Os antigos inquilinos da casa tinham as contas em nome do “ocupante”: ou seja, não em nome de ninguém em específico. Mas isso não é um problema de maior: o grande problema é que eles deviam (e muito) à companhia e chegámos a receber cartas a ameaçar o corte de serviço e a instalação de um contador pré-pago (tipo cartão de telemóvel)! Para além de cobrança judicial, evidentemente. Esta parte foi ultrapassada com o nosso envio de documentação a provar a nossa entrada na casa e com a abertura de uma ficha em nosso nome (ensinamento do dia: fujam sempre de contas em nome de “The Occupier”!! Criem sempre o vosso próprio registo!). Contudo, um novo problema apareceu (e ainda não desapareceu!): deu-lhes para cismar que temos um contador bi-horário (isto é, com duas leituras). Pois, mas definitivamente não é! E enquanto esta situação se mantiver quem é prejudicado somos nós pois a tarifa bi-horária não nos é nada vantajosa aqui. Já me cansei de ligar para lá, mandei um email de reclamação, mas nada até agora. Próximos capítulos em breve…

A Internet e o telemóvel não nos trouxeram quaisquer problemas até ao momento. De notar que, para se ter boas tarifas em ambos os serviços, é regra geral necessária a fidelização por um mínimo de doze meses, tempo que para nós é um (grande) ponto de interrogação…

Outro passo essencial para quem se muda para um novo país por um período minimamente razoável é a abertura de uma conta bancária nesse país. E, para não variar, mais complicações! Tínhamos visto aqui que abrir uma conta não seria tarefa fácil, mas que no HSBC era bastante provável conseguir. Lá fomos, levámos toda a papelada, tudo corria muito bem até que…o “sistema” recusou-se a abrir-nos a conta! Nem a mim sozinho, nem à Joana, de forma nenhuma! A senhora bem nos perguntou se alguma vez tínhamos aberto conta cá, se tínhamos alguma vez falhado a mensalidade de alguma coisa, por exemplo… é que simplesmente o “sistema” deu-nos uma nega... e temos uma carta a dizê-lo textualmente, vai ficar no nosso "relicário" pessoal! Nunca nos tínhamos sentido tão junk (lixo), tão... PIIGS! Não temos rating suficiente para abrir uma conta no HSBC, mesmo sem qualquer histórico no país. A solução foi então tentar outro banco. Foi-nos sugerido um mais “internacional” e fomos então ao Santander. Lá o atendimento foi muito sofrível (incomparavelmente pior que o HSBC) mas lá conseguimos abrir uma conta! Mas nitidamente foi à rasquinha…e apenas uma conta de estudante internacional (ou seja, só em meu nome), o que significa que temos de pagar 5 libras mensais nos primeiros doze meses de comissões, por não termos histórico bancário no Reino Unido. É o “noviciado”… No caso da Joana, nesta fase só se pôde candidatar a uma conta de serviços mínimos bancários, em que só se pode fazer depósitos e levantar dinheiro no multibanco. Mais nada, nem usar o cartão no supermercado para comprar o pão! 

Para terminar a saga das contas (para já, quem sabe se não voltamos assunto!), falta falar do imposto municipal (Council Tax). Este imposto é o equivalente ao IMI em Portugal, e serve para financiar o tratamento dos jardins, a recolha de lixo, a polícia, etc. Eu já sabia por experiência própria que, enquanto estudante a tempo inteiro, estaria isento do pagamento deste imposto. O que pensava é que a Joana também estaria. Mas não está, infelizmente. Contudo, existe um desconto de 25% para pessoas que moram “sozinhas” (visto eu não contar para a contabilização do imposto) e desta forma o custo é mais leve. Este imposto, tal como no caso da água, é baseado na avaliação que o conselho municipal faz da habitação.

Outras burocracias obrigatórias para quem chega de novo ao país são:
- arranjar um número de Segurança Social (National Insurance Number), através de um call centre do centro de emprego (Job Centre), quando se começar a trabalhar;
- obter um registo criminal (isto é facultativo, depende da profissão), que pode demorar 2 a 4 semanas a chegar. Este registo é pedido pelo empregador (mas pago pelo candidato!) no período de selecção para um novo emprego que lida directamente com o público (por exemplo, nos ramos da saúde e educação). 

Existem certamente outras burocracias (e chatices) neste período de estabelecimento numa nova realidade. Quando passarmos por elas, partilharemos a experiência!
 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O primeiro passo: a nova casa (2)


Ter a chave na mão foi apenas um passo intermédio e não o fim dos trabalhos! O tão ansiado momento de abrir a porta da NOSSA casa pela primeira vez foi…uma pequena desilusão! A casa estava muito mais despida do que poderíamos imaginar! Sim, estava lá tudo o que tínhamos "contratado” (por ex., os grandes electrodomésticos, armários, cómodas), mas o que saltou à vista de imediato foi o que a casa não tinha! Não tinha nem sequer um talher, um prato, um simples balde do lixo na casa de banho, um edredão,… nada! Para já não falar de uma mesa de jantar (as mesas de café que fazem conjunto com o sofá revelaram-se muito pouco funcionais para o efeito). A nossa senhoria entrou connosco em casa, mostrou-nos como tudo funcionava e providenciou-nos o inventário, para nossa consideração. Isto é um pormenor muito importante para o qual tínhamo-nos esquecido de alertar na mensagem anterior sobre a casa: fotografem a casa no dia em que entrarem e exijam o inventário (incluindo contagens de electricidade, gás e água), para o caso de uma qualquer disputa futura! O inventário deve ser assinado por vós e o senhorio.

A solução para o problema da casa vazia é, regra geral, fácil: compra-se tudo! Mas o que em Portugal se faria com menor sacrifício (com carro e com ajuda, se necessário), fez-se aqui com maior sacrifício (sem carro e com alguma ajuda). 

imagem retirada de: http://www.transportesmudancas.com/wp-content/uploads/2010/05/mudar-de-residencia.jpg

Foram várias viagens de autocarro e a pé (quando estamos carregados a estação de autocarro parece tão longe…) para comprar o que se compraria em uma ou duas idas às compras “em condições”. Lojas? IKEA, pois claro, mas também Morrisons, Home Bargains e Sainburys. Com a agravante de ao comprar “às pingas” as taxas de utilização dos nossos cartões no estrangeiro doerem ainda mais (dado que ainda não tínhamos conta bancária e cartão de débito daqui, mas esse assunto fica para outro dia!). Agora as coisas já estão praticamente a 100% (dentro do possível) e já estamos (quase) prontos a receber visitas! 

É bom sentirmo-nos em casa! Muitos de vocês perguntam-nos: “Mas vocês compraram só o mínimo indispensável, certo?”. A resposta é “Sim e não”. Sim, compramos o mínimo que uma casa precisa de ter mas também compramos mais que isso... ainda é um tempo considerável de estadia, portanto vale a pena investir um pouco no conforto! E quem sabe se no fim estas coisas que compramos não se poderão tornar um “enxoval de viagem”? Embaladinhas, prontas a seguir viagem para um outro porto de abrigo…

Para finalizar, acima falei que tivemos “alguma ajuda”, não em “nenhuma ajuda”. E porquê? Porque o nosso grande amigo grego ajudou-nos a trazer para casa uma mesa de jantar e respectivas cadeiras, pois ele tem carro. Mais uma vez, um obrigado muito grande para ele!

Num dos próximos dias vamos abordar outra questão importante da mudança: as contas e as burocracias! Não deixem de passar por cá e COMENTAR, se fazem favor!
 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Finalmente chegaram as nossas encomendas!!

Finalmente, chegaram as nossas encomendas!!


Faz hoje precisamente uma semana que o Tozé (um dos irmãos do Zé) despachou as nossas encomendas através dos CTT e só hoje, 7 dias depois, é que elas chegaram. Isto é, uma delas (esta que aparece aqui na imagem do lado esquerdo) chegou ontem, mas a que tinha a nossa roupa de cama e roupa mais quente (a mais urgente, portanto!) só hoje chegou.

Ontem eram cerca das 10h15m quanto tocaram à porta. Fui abrir e de dentro de um camião saltou um senhor com "ar de poucos amigos" a perguntar "é aqui que mora o sr. José Barros?", ao que respondi "é, sim sr. Pediu para assinar numa maquineta digitar qualquer e pronto quase me atirou com o caixote para cima. Disse-lhe que estavam à espera de outra encomenda e se não a tinha trazido também. Respondeu-me que não sabia de nada e que talvez viessa amanhã. Uma simpatia não hajam dúvidas!!

Hoje, o mesmo senhor mas um pouco mais tarde (cerca das 11h) bateu à porta. Vinha com o mesmo ar simpático de ontem (LOL) mas eu depressa o desarmei, dizendo-lhe "este caixote é mais pesado, portanto pode deixar aqui mesmo na entrada que eu depois puxo-o para casa". Ele assim fez. Nova assinatura na máquina digital e depois lá me perguntou "as encomendas vêem de Portugal, não é?" e eu "é, nós somos portugueses e viemos para cá trabalhar". No fim lá foi à sua vida e ainda nos desejou boa sorte :) Afinal, água mole em pedra dura tanto bate até que fura ehehe

Obrigada, Tozé porque de hoje em diante vamos dormir bem mais quentinhos!! Ai que saudades da minha almofada... mas hoje já as mato! ;)

Daremos mais notícias em breve!

Bjinhos mt grds e sabem que estão sempre no nosso coração
 

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O primeiro passo: a nova casa (1)


Agora que as coisas estão mais calmas por aqui está na hora de dar nova vida a este espaço! Reparem nos links laterais para as redes sociais: O Meu Lado Solar está no Google + e no Twitter! Juntem-se a nós!

Já tinha falado sobre as casas em Cardiff aqui, mas na altura o processo foi relativamente simples, pois o que pretendia era uma casa partilhada com estudantes. Para isso, a Cardiff University providencia contactos de senhorios (landlords) e é só ligar directamente e ver as casas. Tipicamente estas estão bem equipadas (incluindo todo o tipo de electrodomésticos) e as contas estão em nome do senhorio, que as faz reflectir no valor da renda. Pois bem, mas desta vez as coisas eram diferentes…

O que pretendíamos era um “apartamento” só para nós (chega de partilhar, como tinha prenunciado aqui)! E pensávamos nós que não seria muito difícil e que quatro dias num hotel chegariam para escolher uma casa e ir morar para ela… nahhh resposta errada, como demonstrou a prática!

Quando chegamos a Cardiff, trazíamos uma lista pequena de casas a ver que tínhamos visto nestes sites (que recomendamos!): o Rightmove e o FindAProperty. Aqui começam as diferenças: 99% das casas aqui apresentadas são representadas por agências imobiliárias (são às dezenas, senão centenas só em Cardiff!! Existem mais de 18000 no Reino Unido inteiro!). É um mercado sem paralelo em Portugal (pelo menos até à nova lei das rendas). Contactamos as agências e o quadro desde logo não foi muito animador: ou as casas já estavam arrendadas e o anúncio estava desactualizado, ou os pré-requisitos pedidos eram incomportáveis (do estilo, “têm de pagar 6 meses de renda em avanço visto não trabalharmos normalmente com estudantes” ou “têm algum fiador (!!) que tenha residência própria no Reino Unido? Se sim, óptimo, se não têm de pagar £1000 mais o depósito mais uma renda em avanço”). Para já não falar nas comissões que elas cobram após manifestarmos o nosso efectivo interesse. Adiante! Então fomos deixados apenas com uma opção no primeiro dia, mas que até era interessante! Porém, não podíamos tomar uma decisão apenas com uma visita! Assim, colocamo-nos em campo para novas opções e andamos literalmente de um lado ao outro da cidade a ver casas nos dois dias seguintes!

E há de tudo, como na farmácia: casas limpas, sujas, frias, húmidas, barulhentas, em que tínhamos de partilhar electrodomésticos (por ex., a máquina de lavar!) e algumas boas, claro! Contudo, a altura do ano não era famosa para ver casas: a maioria das melhores casas está ocupada nesta altura do ano (até ao fim do ano escolar, entre Junho e Julho) e o nosso limite de renda era razoável mas limitava um pouco a escolha nesta altura do ano. Mas quando entramos na nossa futura casinha, ficamos logo com a sensação “Vai ser esta”! E assim foi! No fim do dia de Terça-feira corremos até à agência para "reservar" a casa (para a retirar do “mercado”). E, pensamos nós, está feito! Errado! Foi-nos dito que só poderíamos entrar na nova casa na Segunda-feira seguinte (6 dias depois!). E porquê? Porque precisavam de fazer o nosso processo de referenciação: consultar e validar o nosso balanço bancário dos últimos três meses, contactar o meu antigo senhorio para ver se éramos de confiança, telefonar ao meu supervisor na Cardiff University, verificar o recibo dos meus pagamentos da Fundação para a Ciência e Tecnologia (mesmo estando em Português) entre outras eventuais verificações que nos ultrapassaram. Pois, e então as 4 noites de hotel derraparam para 7, com tudo o que isso acarreta. E só não derraparam para 9 porque um santo de um colega meu da universidade nos cedeu a casa dele nas últimas duas noites. Não há palavras para agradecer este gesto e tudo o mais que ele e a namorada têm feito por nós! Por fim, na Segunda-feira dia 6 de Fevereiro assinamos o contrato de arrendamento (depois de o ler durante uma hora e mesmo assim termos ficado com a sensação que só faltava lá dizer que abdicávamos da nossa alma em favor do senhorio)! Mas a história não fica por aqui… na verdade ainda mal começou! Esperem pelas próximas novidades!

Em suma, o processo (genérico e sumarizado) que recomendamos para a escolha de uma casa para arrendar no Reino Unido é:
  1. Contactar alguém local que vos possa dar uma noção geral de como são as zonas residências (se são seguras, calmas, etc.), se conhecem alguma boa agência (pois algumas são bastante manhosas, segundo nos disseram), entre outras perguntas que achem pertinentes.
  2. Consultar o Rightmove ou o FindAProperty e encontrar uma lista (exigente) de casas a visitar, conforme as vossas necessidades e possibilidades. Notem que os valores apresentados geralmente apenas se referem à renda, não incluem contas. Normalmente a oferta é muita, portanto procurem com calma e critério. Há muitas casas que se dizem totalmente mobiladas/equipadas (fully furnished), mas isso é um chavão muito relativo...
  3. No processo de visitas, perguntem tudo e desconfiem de promessas (por ex., “isto está partido mas vai ser arranjado”). Perguntem o que está incluído na mobília da casa, se alguma conta está incluída, se a casa é gerida pela agência ou pelo senhorio (para no caso de algo se avariar quem contactar), que tipo de aquecimento existe (se é a gás ou electricidade), se é possível redecorar as paredes (por ex., pendurar quadros, fotos) e alterar a disposição do mobiliário, se o jardim é de uso comum, … Perguntem ainda como será efectuado o pagamento da renda (por ex., se é por transferência bancária directamente para o senhorio) e como poderão “reservar” a casa se estiverem interessados. Aqui é que entram as comissões das agências (agency fees), estejam atentos pois estas variam de agência para agência.
  4. Se gostaram de alguma casa, façam o depósito e preparem-se para a “dor” da espera causada pelo processo de referenciação que descrevi. Ter histórico de arrendamento no Reino Unido naturalmente ajuda. Se tudo correr bem, em 3 a 5 dias úteis estarão a assinar o contrato de arrendamento (leiam-no muito bem e não assinem nada que não percebem ou com o qual tenham objecções!)
E depois a saga continua… estejam atentos
 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

As casas

Ora bem, já vos falei das pessoas e das pessoas nas casas...para fechar o ciclo de combinações possíveis, falta então falar das casas propriamente ditas!

Pois bem, as casas são mais uma das deliciosas particularidades do Reino Unido. Contrariamente ao que é hábito em Portugal, o grosso das pessoas não vive em apartamentos mas sim em moradias (vivendas) unifamiliares. Mas não se excitem muito! Rapidamente vão ver quais dos cenários preferem (presumo)!


















Uma rua típica de Cardiff - a minha do ano passado

Aqui as moradias são todas iguais por ruas (e, porque não, por bairros). Como podem ver na foto acima, que se refere à minha rua do ano passado, difícil é escolher a casa de que se gosta mais. ;) E se a rua for pouco iluminada à noite, não é difícil enganarmo-nos, como podem imaginar!

 

















Outra rua típica de Cardiff;)

Chega mesmo a ser confrangedor verificar rua após rua aquilo a que chamo de arquitectura "copy-paste". Arquitectos/futuros arquitectos, atenção: esqueçam o Reino Unido! A não ser que seja para fazer edifícios públicos / monumentos / ... mas casas não!





















 





Uma banal casa (que, por acaso, foi a minha do ano passado!)

Por dentro, guess what? É a mesma coisa: a estrutura, a localização das divisões, bem como a sua área são decalcadas a papel químico de uma casa para a outra. Ah, e aqui a alcatifa é rainha! E não só nas casas, também nos edifícios públicos! Graças a Deus as minhas alergias já não são o que eram! ;)
















































Descubra as diferenças! (casa de 2009 em cima vs casa de 2010 em baixo)

Mas não sejamos de todo injustos: há zonas nas cidades do Reino Unido onde esta lógica não é totalmente válida. Isto é, onde existe construção mais "personalizada" e também alguns apartamentos. Mas tudo construção que não é para os bolsos de um normal cidadão britânico! O que dá que pensar: os ricos em apartamentos (de luxo) e os menos ricos em moradias unifamiliares... um pouco diferente de Portugal, não?
  

terça-feira, 1 de junho de 2010

As pessoas...em casa!

Na última vez que vos escrevi, falei-vos das pessoas do Reino Unido e, em particular, dos britânicos (galeses, ingleses, ...). Desta vez, vou falar-vos de como é viver com pessoas em casa. Ou melhor, de como tem sido a minha experiência!

Como sabem, é muito comum quando se está fora nestas condições partilhar uma casa arrendada. Em primeiro lugar, porque arrendar um T0/T1/estúdio implica burocracias e trabalhos aos quais um estudante tipicamente não está a fim de se sujeitar. E em segundo lugar (mas não menos importante!), o dinheiro normalmente não abunda... Assim, surge a hipótese de partilhar uma casa arrendada com outros estudantes: dividem-se os custos e (supostamente) os esforços e têm-se (quase) tudo o que necessitamos: um quarto só nosso e acesso (partilhado) a casas de banho, anexos com equipamentos (máquinas de lavar, secar, ...), sala de estar e, the last but not the least, cozinha.

Costuma-se dizer que na vida "em tudo é preciso ter-se sorte". E, neste caso, é naturalmente preciso ter-se sorte com as pessoas com quem partilhamos a casa. Pois aquilo que seria uma conveniência pode tornar-se um pesadelo: falta de colaboração nas tarefas comuns, desarrumação, barulho ... que acabam por redundar em mau ambiente e numa má experiência. Porém, apesar de nem tudo serem (terem sido) rosas, não me posso queixar muito!

No ano passado, quando cá estive cerca de um mês, partilhei a casa com quatro estudantes (2 rapazes e 2 raparigas) do Brunei! Para quem não sabe, o Brunei é um pequeno país do Sudeste Asiático (sim, têm os olhos em bico!). Não estive lá por muito tempo, mas foi marcante dado que foi a primeira vez que saí "debaixo das saias da mãe". No geral, correu tudo bem: o quarto era pequeno, mas limpo, e a casa tinha tudo o que eu precisava por um preço bastante razoável. Os bruneanos eram simpáticos e razoavelmente sossegados e limpos. Eram daquele tipo de pessoas "se não me chateares, também não te chateio". E embora não houvesse uma "lista de tarefas rotativa" (que recomendo que façam caso venham a viver em casas partilhadas!!), as coisas correram normalmente.

Este ano, saiu-me "na rifa" uma casa com quatro mulheres: ouviram bem, quatro mulheres! Três estudantes de Erasmus (duas italianas e uma finlandesa) e uma recém-graduada (inglesa). Se por um lado, isso significaria à partida mais barulho, por outro lado talvez representasse mais limpeza e organização. Pois, mas nem sempre os estereótipos se confirmam...

Com uma certa lógica, quem deveria ter maior "responsabilidade" na casa seria a rapariga inglesa, por já ter acabado o curso e ser mais velha. No entanto, redondo engano: não havia ninguém mais desorganizado e desleixado nesta casa do que ela! Digo havia, pois felizmente ela saiu no fim do mês de Abril, para meu suspiro de alívio. Uff!! Ah, e é bom nem falar das qualidades culinárias...adiante!

Assim, durante o mês de Maio fomos quatro aqui em casa...e as coisas melhoraram um pouco mas não tanto quanto eu gostava, confesso... sem querer particularizar, a capacidade de perceber que existem outros em casa não é o forte de algumas pessoas aqui. Mas não me posso queixar demasiado, de certeza poder-me-ia ter calhado uma "fava" maior.

Agora que o mês de Junho se iniciou, temos aqui um novo inquilino, um francês. Vá lá, dizem vocês, assim fica mais equilibrado (ooooh, dirão outros de vós ;) ).

Espero que nos dias que me restam aqui, com este novo equilíbrio que vai ter de se criar, tudo corra pelo melhor. E, para mim, o melhor é muito simples. É a política dos bruneanos: "se não me chateares, também não te chateio".

O grande ensinamento retiro da vivência em conjunto nestas circunstâncias é mesmo este: viver a nossa vida, sabendo que a nossa liberdade não acaba onde a do outro começa - neste caso, a liberdade é partilhada. E só se todos souberem como a partilhar tudo poderá correr pelo melhor.