segunda-feira, 18 de março de 2013

Comic Relief: ajudar rindo!

Na passada Sexta-feira, dia 15 de Março, foi o chamado "dia do nariz vermelho" (Red Nose Day) no Reino Unido. Ora, este é um dos dias de recolha de fundos mais famosos do Reino Unido (e, talvez, mundialmente), pois está associado ao chamado Comic Relief ("alívio cómico" é a tradução literal).

O Comic Relief é uma associação de beneficência fundada nos anos 1980 no Reino Unido pelo realizador e argumentista Richard Curtis (provavelmente o realizador de comédia mais famoso por estas bandas, responsável por Blackadder, Mr. Bean, Quatro Casamentos e um Funeral, Notting Hill, O Diário de Bridget Jones, ...) e pelo actor Lenny Henry. O objectivo é recolher fundos para a luta contra a fome e exclusão no Reino Unido e em África. A recolha funciona principalmente na base de uma maratona televisiva ao longo de um dia (o tal Red Nose Day, que ocorre de dois em dois anos), onde vários artistas de comédia e musicais de primeira linha "fazem uma perninha" de modo a incentivar a recolha de fundos. Mas há mais para além disto...

Muita gente envolve-se directamente e faz algo "divertido" por esta boa causa e, no fim, doa os rendimentos à associação. Algo "divertido" inclui: fazer bolos, vestir-se de forma alternativa, entretenimento de rua, etc... por exemplo, o pessoal dos serviços informáticos da Universidade de Oxford organizou-se para uma corrida, vestidos a rigor, para recolher fundos.

Os "corredores" da Universidade de Oxford (fonte: http://www.oucs.ox.ac.uk/rss/allnews.xml)
Também um dos meus meninos meteu "mãos à obra" e, vestido a preceito, pedalou até não poder mais para angariar o máximo valor de fundos possível, tendo feito cerca de 130 libras.

Não importa o que se faz  mas sim o objectivo que esta por detrás deste dia: ajudar os outros! E para isso não importa onde estamos ou o que fazemos, desde que seja com o coração!
 

terça-feira, 5 de março de 2013

"Santa" Sexta-feira

Todos temos os nossos rituais. Mais que a maioria dos povos, os britânicos são certamente feitos de rituais. Um deles é o jantar fora à Sexta-feira. É literalmente a "loucura-loucura" em tudo o que é restaurante!

A "alergia" britânica a "perder tempo" com cozinhar é bem conhecida. Não é preciso haver um dia específico para o take-away, qualquer dia é bom...excepto Sexta-feira. O porquê? Não sabemos exactamente, mas é uma constatação que temos vindo a fazer. Seguramente não haverá relação com a tradição judaica, pois não nos parece haver expressão relevante. Dado o Sábado ser dia de observância especial para os judeus, o jantar de Sexta-feira é mais festivo.

Seguramente terá a ver com a alegria de se chegar ao fim de uma longa e dura semana de trabalho e não se "estar com cabeça" para sequer pensar em cozinhar.  Nós por cá, em March, temos uma escassa escolha para comer fora. Para além dos inevitáveis take-aways, não sobram muitos restaurantes. Temos os pubs, indianos, chineses e um italiano. O italiano é potencialmente interessante, mas o aspecto não é muito convidativo. Mas, quem sabe se não será uma surpresa? Mas, se querem mesmo saber, o que nós gostamos mesmo é do restaurante de cá de casa. Não é que sejamos um portento culinário (muito longe disso), mas se queremos comida que se pareça com aquilo que sempre gostamos e aprendemos a amar no nosso Portugal... é como nas botas e nos relógios: faz tu mesmo!!...

Para o fim, deixamos uma foto que diz tudo. Mais que um slogan de um portal de take-aways, um modo de vida!

Fonte: just-eat.co.uk

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A educação "positiva"

Este post é dedicado a algo que me deixou "chocada" logo nos primeiros dias de trabalho, mas em linha com o que já me vinha deparando no dia-a-dia. Mais do que falar em diferenças culturais, queremos aqui falar de diferenças educacionais bem vincadas entre as nossas crianças e as crianças do Reino Unido.

Desde cedo que todos os pais ensinam aos seus filhos o que é certo e o que é errado, a diferença entre o bem e o mal, o que eles podem ou não fazer. A isto chamamos impor limites e definir claramente até onde as crianças podem e não podem ir. Consequência disto é o facto de, quando a criança passar esses limites, sofrer uma consequência para aprender a lição e não voltar a repetir a "gracinha" na próxima vez. Naturalmente, que falamos aqui de consequências negativas tais como castigos (ex.: ir directamente para a cama logo que acabe de jantar, ficar sem ver TV durante 3 dias, etc.).

Pois bem, aqui no Reino Unido, as coisas não são bem assim. Lido diariamente com crianças e adolescentes bem difíceis, que constantemente testam todos os limites e mais algum. E que lhes acontece? Nada, na verdade. E eles sabem bem disso. A lógica no Reino Unido é reforçar os comportamentos socialmente aceitáveis e não prestar atenção aos comportamentos erróneos, através do pressuposto da extinção desses comportamentos pela desvalorização dos mesmos. Resultado? Não há consequências negativas para estes miúdos! É mesmo assim e não estou a exagerar! É assim que as coisas funcionam por cá, foi-me dito. Quando queremos que um miúdo faça alguma coisa ele tem de receber sempre alguma coisa em troca para o fazer. Por exemplo, para arrumar o quarto tem de receber dinheiro (5 libras, por exemplo). E perguntam vocês: mas eu arrumo o meu quarto e ninguém me paga? Pois é, mas aqui os miúdos são educados maioritariamente assim. Mas há um ou outro limite que conseguimos estabelecer. Por exemplo, a proibição do consumo de refrigerantes e bebidas altamente açucaradas (e "cafeínadas") como o Red Bull. Sabem o que disse um profissional de saúde aquando de uma visita? Que esta regra era um atentado aos direitos das crianças! Imaginam isto? Ainda bem que se trata de um profissional da saúde e não do ensino, pois assim não corremos o risco dele ensinar um filho nosso!

Mas tudo isto deixa-nos a pensar bastante sobre ter e educar os nossos filhos neste país tão diferente do nosso, e o infantário/escola onde o colocar. Uma coisa é certa: filho nosso vai saber a diferença entre o que pode e não pode fazer e que se ultrapassar o limite é castigado. Nisto Portugal está milhares de anos-luz à frente do Reino Unido!