domingo, 8 de setembro de 2013

A vila floral

O Meu Lado Solar está de volta e pára hoje numa bela vila relativamente perto daqui: Bury St. Edmunds!

Após alguns passeios a sítios, em nossa opinião, pouco interessantes (e, portanto, sem grande interesse para vós também), as expectativas sobre Bury St. Edmunds não eram famosas. Mas é nestes casos que sabe melhor ser surpreendido!

O Angel Hotel

Logo ao chegar ao centro (e sem necessidade de pagar parquímetro, um luxo!), deparámo-nos com uma zona pedonal comercial, cultural e residencial que muito se assemelha ao Fórum Aveiro: ao ar livre, ampla e moderna. Só por esta zona já valeria a pena visitar a vila: pela experiência de compras descontraída, pela ida ao centro cultural ou apenas pela caminhada.

O novo shopping ao ar livre

Mas Bury St. Edmunds é muito mais que isto. Andando mais um pouco chegamos ao típico centro das pequenas vilas britânicas. Mas este está bem acima da média (pelo menos do Este de Inglaterra), não só pelo arranjo pitoresco do casario, mas principalmente pelo lindíssimo parque envolvente à Catedral de St. Edmundsbury (já de si imponente). A abundância floral do parque (Abbey Gardens) que se estende por várias ruas do centro torna Bury St Edmunds numa auto-denominada floral town (vila floral).

Os Abbey Gardens
A Catedral de St. Edmundsbury

O centro da vila é pequeno e calcorreia-se em pouco tempo de ponta a ponta. No centro há a destacar o antiga sede do mercado agro-pecuário transformado em pub há pouco cerca de um ano. Tem uma vertente de galeria de arte na entrada, o que o torna muito requintado e diferente do que estamos habituados a ver.

O pub Corn Exchange (fonte: jdwetherspoon.co.uk)

Outro edifício de relevo é a fábrica e respectivo museu da cerveja local - a Greene King - que devido ao facto de ser Domingo e tudo fechar cedo, nos vimos impedidos de visitar. No entanto, deixamos aqui uma foto da entrada. Esta cerveja é bem popular, encontra-se em qualquer pub de Inglaterra e Gales e é do tipo ale (que está longe de ser o nosso tipo de cerveja preferido). Havemos de voltar a falar de cerveja em breve...

Fábrica e museu da Greene King

Na envolvente, para além da habitual planície verde, existe um forte complexo industrial/comercial (quando comparado com o resto da região), do qual salta imediatamente à vista a fábrica da British Sugar. Lá se encontra também um grande hospital do serviço nacional de saúde (NHS), o West Suffolk Hospital.

Bury St Edmunds não tem aquele estilo vibrante, jovem e variado que, por exemplo, Cambridge tem. No entanto, alia muito bem sossego e qualidade de vida com a proximidade a serviços, que a torna numa vila muito atraente para se viver! Recomendado!

Uma das entradas dos Abbey Gardens

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Um Domingo diferente

Num dos Domingos deste brilhante Verão britânico (nunca é demais reforçar, temos de aproveitar enquanto dá!), fomos a uma pequena feira tradicional aqui bem perto de March, num parque público em Chatteris.

O Festival de Verão de Chatteris 2013
Era, por assim dizer, uma "mini-feira medieval". Mais apropriadamente, o tipo de feira em que muitos coleccionadores orgulhosamente "tiram o mofo" às suas colecções (de selos, medalhas, ferramentas, roupas e equipamentos antigos, ...) e as mostram num contexto de "viagem no tempo". Este tipo de feiras por cá é, portanto, menos comprometida com o negócio "puro e duro" e mais virada para o convívio, para beber umas cervejas e ouvir música local. Existem, claro, barracas a vender todo o tipo de artesanato (mais ou menos interessante) mas numa proporção bem menor às nossas "feiras medievais". Tendo dito isto, não estamos a advogar que estas feiras (e esta em particular) chegam sequer perto da Viagem Medieval de Santa Maria da Feira (saudades!...).

Recriação do faroeste com participação do público

Particularmente interessante de ver foi a componente de jogos tradicionais, tais como o "jogo da corda". Miúdos e graúdos a divertir-se com jogos supostamente "fora de moda" mostrou-nos que as boas tradições (ainda) são para manter!

O jogo da corda (fonte: chatterismidsummerfestival.co.uk)
Corridas de obstáculos tipo "Jogos Sem Fronteiras" (fonte: chatterismidsummerfestival.co.uk)

Outras atracções durante o fim-de-semana incluíram a já habitual falcoaria, uma parada, um concurso de beleza canina (!), uma competição de decoração de bolos e uma não tão habitual demonstração da Força Aérea (Royal Air Force): dois aviões sobrevoaram a baixa altitude o recinto da feira, para deleite geral. Sem dúvida, razões mais que suficientes para um belo dia fora!

Demonstração de falcoaria
Avião da RAF a sobrevoar a feira (fonte: flickr.com/photos/matthalmshaw)
Nota: este é o último post antes da partida para o nosso Portugal, para matar saudades e retemperar forças. O Meu Lado Solar volta em breve com todo o brilho e muito mais para contar!
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Esperança para a cozinha britânica!

Depois de vários posts a "malhar" na cozinha britânica, chegou o dia de fazer justiça a um belo restaurante britânico que fomos em March (é verdade!).

O seu nome é Plate & Porter e foge completamente à norma dos restaurantes britânicos que todos já conhecemos um pouco.

O Plate &Porter, junto à estação de comboios de March (fonte: plateandporter.co.uk)

Logo ao entrar, sentimos um ambiente muito sereno, uma recepção personalizada do pessoal (todo britânico) e, acima de tudo, um cheirinho a "comida boa" que só nos habituamos a encontrar por estes lados em restaurantes mediterrânicos (italianos, espanhóis, turcos e, claro, portugueses). Aliás, este é um dos pontos mais notáveis: quem já esteve no Reino Unido sabe bem a que cheiram os típicos restaurantes britânicos (e, porque não dizer, as ruas dos restaurantes). Cheiros como a óleo de fritar, caril ou a molhos de qualidade duvidosa como o tão famoso "brown sauce" não entram no Plate & Porter.

A carta do Plate & Porter denota um conhecimento aprofundado da cozinha continental europeia. As entradas eram sofisticadas q.b.e já davam uma indicação do que estava para vir.

Foi surpreendente a execução tão bem conseguida de pratos de marisco, que pensávamos que os britânicos desconheciam. Pois, afinal estávamos enganados.

Um dos baluartes da cozinha britânica é o roasted lamb (cordeiro assado) e este não desiludiu, de maneira nenhuma. Ponto de execução da carne absolutamente brilhante, bem como o molho (de Vinho do Porto!). De repente, pareceu que tínhamos aterrado noutro país. Estaríamos mesmo no Reino Unido?

Em primeiro plano, o cordeiro assado. Ao fundo, uma sapateira (muito bem!) recheada com vários tipos de peixe e marisco
A carta das sobremesas trouxe a surpresa do leite creme (crème brûlée). Leite creme num restaurante britânico??, pensamos nós. E era mesmo verdade. Foi o prato menos conseguido, mas não comprometeu de todo.

Duas versões de leite creme: com uma delícia e gelado de chocolate; com banana flamejada e gelado de banana
Todo o serviço foi extremamente cuidadoso e profissional e, no fim, ficou a sensação de que se passou um grande momento. Talvez o factor "surpresa" tenha contribuído para esta sensação (já passávamos neste restaurante há meses mas não imaginávamos que valesse tanto a pena). A partir daquele dia já passamos a dizer "afinal há esperança para a cozinha britânica" (para além dos "Olivers", "Nigellas" e "Ramsays").

Não é propriamente um restaurante barato, mas também não é excessivamente caro. É o restaurante ideal para uma ocasião especial (e era o caso!). Esperamos voltar em breve!